E Eu Que Pensei


Rafael Goulart (1989)

Eu andava meio cabreiro de só fazer canções “calminhas” e nós íamos tocar num banda de rock! Eu tinha uma guitarra (“Ei, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica…”). Que absurdo! Eu “precisava” fazer rock “de verdade”! E rock “de verdade” é rebelde, portanto a letra tinha que ser rebelde.

Sugiu então E Eu Que Pensei. Apesar da “motivação”, a letra não era uma rebeldia só porque tinha que ser rock rebelde. Eu era meio revoltado, como todo adolescente saudável, e era revoltado com a pressão de ter que ser igual, de ter que seguir uma vida assim ou assado. Coloquei um pouco da minha revolta com a escola, apesar de que eu sempre fui aluno exemplar, todo certinho, trabalho desde os 14 anos, comportado… Até a oitava série tinha alguma preocupação com notas (pense: menor média da 4ª à 8ª série foi 8,6…). Mas no segundo grau (ensino médio, nossa estou velho, mas ao menos não fiz ginásio, hehehe…) não me importava com notas, aprendia o que me interessava. Na escola estadual em que estudava a média para aprovação diminui de 7 para 5, entaõ no 3º bimestre (ou unidade como se fala aqui no nordeste) já estava passado em todas as disciplinas, a não ser em matemática, pois tirava duas notas 10 e passava no segundo… Mas nunca gostei da escola – gostava do convívio com colegas, professores e funcionários (não todos claro, mas isto é normal).

Engraçado, neste ponto vejo que continuo muito parecido. Retomei a faculdade em 2004, 12 anos após sair da UFSM em Santa Maria para tomar posse no Banco do Brasil, razão pela qual abandonei os estudos formais. Minha motivação para terminar a faculdade é pura sobrevivência. Tiro boas notas por razões mercenárias – há uma bolsa para o melhor aluno de cada curso. E continuo não gostando do meio acadêmico – só do convivio com com colegas, professores e funcionários (não todos, mas isto continua normal).

E Eu Que Pensei pode até dar um rock legal na voz de alguém mais compentente pra coisa. Minha voz, infelizmente não foi feita para este estilo (pena…)

A letra está incompleta, vou tentar consegui-la inteira com o Márcio, que tem um caderno com as letras de nossas músicas da época…

Letra

Eu eu que pensei que era fácil ser normal
(…)
Pois mais que se tente só dá pra ser igual
Se for diferente não vou sair do fundo

Briguei com meus pais
Briguei com meus amigos
Sozinho demais
E briguei até comigo

O som da guitarra
Só me atordoa
Meu Deus, é uma barra
O mundo me magoa

E eu que pensei que era fácil aprender
Na escola, não sei, acho que só perdi meu tempo
Por mais que eu tente só sei ler e escrever
Mas se for pra pensar, aí eu não me agüento

Briguei com meus pais
Briguei com meus amigos
Sozinho demais
E briguei até comigo

O som da guitarra
Só me atordoa
Meu Deus, é uma barra
O mundo me magoa

(acho que tem mais, não lembro mais…)

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