Rafael Goulart (10, Agosto, 2005)
Silvana…
Bom… nestas minhas indas e vindas pela internet conheci Silvana. É minha arquiteta em crise existencial viciada em spinning preferida. Encantadoramente chata, adoravelmente em eterna crise, lindamente entediada. Esta é Silvana.
Muitos dias passei unicamente a incomodando para evitar que seu dia fosse mais entediante do que o costumeiro. Inventei inclusive a “bobagem da hora”, de hora em hora eu inventava um bobagem só pra ela ficar esperando… um barato.
Nossa, escrevi tanta bobagem pra ela…
Eu perdi uma arquiteta
Ela é assim meio branquinha
Faz spinning
Bebe coca
Eu perdi lá no jardim
("Eu perdi o meu galinho", cancioneiro popular)
Você é linda
E chata demais
Você é linda sim
Larga o Autocad
E faz cafuné em mim...
("Você é linda", Caetano Veloso)
… e outras tantas. Mas foi interessante como ela me inspirou a fazer uma música tão… apaixonada, acho. Lembro que foi a primeira música em que o processo de criação compartilhei com a “musa”. Eu estava muito confuso, não conseguia tirar nada de mim, no processo que eu chamo de “parto”. São músicas complicadas de sair. Já estão lá, mas não saem. Passei uns dias ouvindo músicas que estavam me chamando atenção na época, buscando um início, um começo… até que acordei uma manhã cheio de músicas na cabeça, e gritei internamente: “calado!”. Então, naquele momento de silêncio interior, veio clara a melodia e o iníco da letra… mas era hora de levantar, tomar café, ir trabalhar… no ônibus para o trabalho fui rabiscando a letra, pois a melodia estava nítida em mim, foi fácil… a letra toda atrapalhada pelo balançar do ônibus… assim que tive oportunidade no dia passei para ela trechos da música… e assim foi até que cheguei em casa e terminei-a.
Bom, agora era mostrar para ela. Eu tinha seu celular, então uns dias depois cheguei em casa depois da aula e tentei ligar… putz, maldita VIVO!!! Morra!!! Não conseguia ligação. Ela estava longe de casa, a trabalho. Fiquei chateado, mas não tinha muito o que fazer.
No outro dia, peguei também o número do hotel. Mas a primeira tentativa foi no celular… Bingo! Bom… consegui emprestado aqueles fones para celular, liguei o violão no som para amplificar um pouco e equilibrar a voz, coloquei a letra na frente (demoro um pouco para decorar minhas letras…) e foi!
É uma sensação maravilhosa poder cantar a música que você fez para sua musa, para a garota a quem é dedicada. Seu silêncio emocionado é algo indescritível: vale todo o esforço! O frio na barriga, o medo de não agradar, tudo…
Quem quiser entender este sentimento, este frio na barriga, assista “Antes do Pôr do Sol”, continuação de “Antes do Amanhecer”, com Ethan Hawke e July Delpy. (veja sinopses e críticas do dois filmes aqui e aqui). Em certo momento a personagem de July Delpy canta uma música que fez para a situação do filme anterior (o interessante é que July Delpy, ela mesma, compôs a música). A emoção dela cantando… é bem o que senti. Tanto que comentei do filme antes de tocar a música para Silvana.
Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand
You where for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain
“A waltz for a night”, de July Delpy – letra – mp3. Esta é a versão do filme, não de estúdio.
Compor é uma das coisas que mais me faz sentir vivo. E agradeço sempre a cada garota que me causou o sentimento que deu início a cada canção, por menor que fosse, por simples e tola que fosse.
Obrigado, Silvana.
MP3
Esta gravação foi meu primeiro experimento caseiro de fazer um “quase” arranjo. Guitarra (Ibanez), baixo (Ibanez), voz e meu falecido pandeiro, que Deus o tenha (apesar de que deve estar no inferno, de tão ruim que era!). Apesar de, claro, ter muito o que melhorar, fiquei feliz com meu experimento, a gravação, a linha do baixo, ficou legal. Espero que agrade. Ops… tudo com auxílio de minha velha de guerra mesa Staner 6 canais e o microfone LeSom.
MP3 – Rafael Goulart – Fingimento
Letra
Acordei
Foi tão fácil de chegar aqui
Nada pôde me parar
Quem sentou no meu caminho
Teve que se levantar
Respirei
Não tenho medo porque sou mais eu
Nada pode me parar
Não encontrei nada mundo
Que não possa enfrentar
Mas foi quando vi você
Aqui, do meu lado
Se esforçando em não lembrar
Que o dia já lhe chama
Com sua mão a se enrroscar
Em meu peito
Me provando
Que é tudo fingimento
Fingi que sou tão forte sem segurar sua mão
Fingi que enfrento os medos sem teu colo
Fingi que sei viver na solidão
Levantei
Foi tão fácil contemplar o sol
Se ele vai iluminar
Todas pedras no caminho
Pra que não vá tropeçar
Refleti
Quanta força há dentro de mim
Não há quem vá duvidar
Que o futuro é meu domínio
E só faz o que eu mandar
Mas foi quando vi você
Aqui, do meu lado
Me olhando e em seu olhar
Uma luz, um chamado
Me fazendo encabular
Desmontando
Me provando
Que é tudo fingimento
Fingi que sou tão forte sem segurar sua mão
Fingi que enfrento os medos sem teu colo
Fingi que sei viver na solidão
Pois desde quando tive você
Aqui, do meu lado
É que pude encontrar
Uma linha, um traçado
Uma razão pra caminhar
Sem mentir
Pra mim mesmo
Pois é tudo fingimento
Fingi que sou tão forte sem segurar sua mão
Fingi que enfrento os medos sem teu colo
Fingi que sei viver na solidão