Rafael Goulart (19, Janeiro, 1994)
No verão de 1994, janeiro, Mariana estava numa tremenda crise existencial, não sabia se terminava a faculdade, se voltava das férias no Rio de Janeiro… Certa noite estávamos voltando à noite de minha casa, e passamos por uma estrada nova, ainda deserta (hoje já não mais). Mariana parou o carro e ficamos olhando as estrelas, as luzes da cidade – Santa Maria – ao fundo, conversando um pouco. Fez um frio, nos abraçamos e ali ficamos um bom tempo. Éramos apenas amigos, e assim continuamos.
Olhando hoje, percebo que já gostava dela mais do que como amigo, mas não me permitia enxergar. Não posso falar por ela… fiz então esta música, que mostra minha vontade ajudá-la, guiá-la, ampará-la, dar-lhe um caminho. “Mas se o acaso, o destino quiser cruzar / Meu caminho e o seu entrelaçar / Vamos juntos, minha amiga/ Ver onde vai dar”. O destino nos uniu e nos separou. Mas muito, muito iria cantá-la nos tempos que se aproximavam.
Esta é uma canção bem característica da bossa nova, simples, sem muitos adornos, apenas os acabamentos e acordes característicos do estilo. Raramente a toco, raramente a quero escutar, mas gosto dela. Um fato interessante nela é a melodia mais grave, com um tom mais sério e melancólico, acho que que isso às vezes destoa de mim mesmo e faz deixá-la um pouco de lado. É minha única música em FáM, um tom que por algum motivo não me atrai.
Por mais que tentemos esconder, o sentimento nos trai.
MP3
Ficou bonita, mas falta emoção na gravação. Nem sei porque a cantei neste dia… Gravada de um take só, direto em MD, no dia 02 de janeiro de 2005, na casa da Esmeralda com equipamento do Jeremias, aqui de Barreiras.
MP3 – Rafael Goulart – Parar na Estrada
Letra
Quando eu te convidei
Pra para na estrada
E olhar para o céu
Curtir a noite, o nada
E fazer, só pensar
Como crianças mais um dia
E torcer pra enxergar
Uma estrela cadente
E nem sei desejar
Algo de bom pra gente
Ser feliz, tudo já
É o que a gente mais queria
Eu pretendia na verdade fugir com você
Um instante da cidade, não ter que encarar
Suas luzes, sua ordem, seu ofuscar
Na desordem das estrelas queria encontrar
A resposta divina pro meu fraquejar
E ser forte, ser forte pra lhe ajudar
Mas, minha amiga, as luzes da cidade
Estrelas de eletricidade
Não ofuscam quem brilha no que faz
As estrelas cadentes na verdade
São escravas da força de vontade
De quem ama e se ama demais
Olhe só, já encontrei
Bem ali três marias
Tão faceis de achar
Todos aprendem um dia
E não esquecem jamais
Como andar de bicicleta
Tão distantes as três
Como o sul do nordeste
Outra além do equador
Bem longe lá a oeste
Mesmo assim para nós
Fingem estar em linha reta
Ah, se eu pudesse, conseguisse um dia encontrar
Entre as curvas uma reta, sem me desviar
Por atalhos compridos pra nenhum lugar
Eu deixaria migalhas pra você seguir
Sem cegar-se com as luzes, sem ter que cair
Sem sofrer as tristezas que eu sofri
Mas, minha amiga, cada um tem sua estrada
Seus atalhos e riscos e encruzilhadas
Uns preferem correr, outros andar
Mas se o acaso, o destino quiser cruzar
Meu caminho e o seu entreleçar
Vamos juntos, minha amiga, ver onde vai dar