Samba Pra Paola


Rafael Goulart (24, Março, 1994 – 01:10h)

Paola é daquelas amigas doidas, namoradeiras, charmosas que adoramos. Sempre aprontando, a gente se preocupando… Mas é assim, e nos divertimos juntos em várias festas no Panacéia (bar ou “inferninho” de Santa Maria, como Mariana o considerava…). Eu não curtia sair à noite, mas iam o Márcio, suas irmãs Vanessa e Aline, as amigas Dani e Paola, o Maurício “Bochecha”, o André “Cavalo”, o Lima… Acabava indo, e ficava a noite inteira de olho no braço da guitarra e do baixo – e botando defeito, como todo chato que se acha.

Certa época eu e o Márcio nos juntamos com um guitarrista, o Lúcio e um baterista (me fugiu o nome, acho que Claiton, meio cheio de frescura, mas bom) e começamos a ensaiar. Eu tocando baixo e cantando – porque sempre me sobra cantar? Logo onde me julgo mais incompetente… – Márcio na guitarra. Eu era muito perfeccionista e acabei saindo, mas tocamos numa festa memorável em Júlio de Castilhos (cidade próxima a Santa Maria, subindo a serra). O guitarrista era de lá, o pai dele tinha um hotel. Fui para lá um dia antes, o Márcio, o Claiton e nosso inesquecível “holder” Geovandro (que sempre dava o seu “gudei”,ou “good day”) chegaram no dia. Iam tocar mais outras duas bandas além da nossa, era numa casa enorme e tocaríamos num mezanino – muito legal! Passamos o som de tarde, meio por cima. As irmãs do Márcio e a Paola estavam loucas para ir, mas não deu.

Quer dizer… Bem, tocamos Rolling Stones (Satisfaction), Ira (Núcleo Base), Titãs (não lembro da música, foi a única que o Márcio cantou com o Lúcio), The Fevers (Whisky a Go Go), Ultraje (Independente Futebol Clube) e sei lá mais o quê… o Geovandro fez uma viagem alucinada na bateria na sua participação especial… Para quem está lendo não é nada demais, mas foi uma noite muito legal. O difícil foi eu e o Márcio convencermos a trocar nossa cota de cerveja por refrigerante (na época o Márcio não bebia, hoje…).

Bom, mas o quente da história é que quando acabamos de tocar quem estava lá? A Paola e a Carla, uma amiga da época. Estavam no Expresso 362, um bar de Santa Maria, e ficaram naquela de pedir um “pila” emprestado a cada amigo (claro que nunca mais pagaram…) para inteirar a passagem até Júlio de Castilhos. Pegaram o Buzu às 23:00h, chegarma na cidade sem saber onde era a festa (tudo bem que a cidade é um “ovo” e devia ser a única festa da cidade…), foram perguntando e passaram a conversa no porteiro para entrar de graça.

Passaram o resto da noite no hotel com a gente (um frio! Tinha do homem duro de frio lá fora – uma estátua, quase matamos o Claiton por esta bobagem, fazer todo mundo sair da cama pra ver…). Tivemos que pagar a passagem delas na volta, eu emprestei minha jaqueta pra Paola (que cavalheiro, óóóóó…)

Esta é a sem juízo/siso da Paola. Fiz um samba, samba/pagode é a cara dela. Fiz uma letra que mostra minha influência do Chico Buarque, com muitas rimas curtas numa métrica justinha (mas não perfeita), gosto muito. A harmonia é uma das poucas que fiz em tom menor (acho que tem apenas uma outra, que não tenho mais a letra). Aqui meus estudos com “Harmonia e Improvisação” do Almir Chediak estão bem presentes: todos os acordes da escala de Bm foram utilizados. Como já disse outras vezes, o conhecimento nos dá recursos, soluções, caminhos.

Quando fiz uma fita com minhas músicas em 1997 fiz um arranjo com duas vozes que achei muito legal… vou tentar repetí-lo em mp3.

Letra

Veja se tem fundamento
Este tal argumento
Pra querer lhe mudar
Se é por falta de ciso
Neste samba eu friso
Que quero você como está
Quero lhe ver muito louca
Botando água na boca
Dos garotos do bar

Este seu comportamento
Sempre ao sabor do vento
Faz a turma pirar
Causando mil prejuízos
Não por falta de avisos
Que os amigos tentam lhe dar
Quero lhe ver sempre solta
Balançando a roupa
Quando a banda cantar

Que esta minha escolha tem um quê de tola
Que esta minha escolha por você

Que esta minha escolha tem um quê de tola
Que esta minha escolha por você

Você percebe a galera
Às vezes fica uma fera
Com este seu aprontar
Pois é com constrangimento
Que em certos momentos
Sentimos sua barra pesar
Mas esta é sua sina
O que lhe deus lhe destina
O que a vida lhe dá

Vão lhe amarrar um segundo
E aqueles dentes do fundo
Vão tentar colocar
Concordo até que é preciso
Mas excesso de juízo
Com seu charme vai acabar
Mas quero lhe ver vem solta
Balançando a roupa
Quando a banda cantar

Que esta minha escolha tem um quê de tola
Que esta minha escolha por você

Que esta minha escolha tem um quê de tola
Que esta minha escolha por você

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