Nada Adianta


Rafael Goulart (12, abril, 2004 – 02:19h)
Em Itaberaba, meio de viagem, ônibus quebrado…

Nada adianta ser a vítima,
Ser o lado bom,
Ser quem tem razão,
Ser o sensato,
Ser quem se doou,
Ser o generoso,
Ser o paciente,
Ser quem agüentou.

Nada adianta ser o bonzinho,
Ser quem cedeu,
Ser o bom marido,
Ser o bom pai,
Ser o companheiro,
Ser quem correu atrás,
Ser o dedicado,
Ser o compreensivo.

Pois a perdi mesmo assim.

Pois também fui culpado,
Tenho meu lado ruim,
Nem sempre tive razão,
Nem fui tão sensato,
Me doei mas cobrei,
Fui generoso por orgulho,
Fui passivo e não paciente,
Agüentei engolindo o que não devia.

Fui lobo em pele de cordeiro,
Cedi demais e pesou,
Fui às vezes apenas bom marido,
Às vezes apenas pai,
Fui muitas vezes distante,
Deixei de correr à frente,
Me dediquei ao meu egoísmo,
Não compreendi nada, nada.

Nada adianta ser tanto
E não ter o que importa.
Nada sou, por conseqüência.

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