O Balde e os Sapos


Balde
Transbordando e pronto pra chutar

O balde está sempre ali. Cheio. Esperando você mandar tudo pra PQP e… chutá-lo. Sempre pronto pro desabafo. Pra mudança. Pra mandar aquele chefe desgraçado, aquele casamento infeliz, aquela vidinha insossa pro espaço.

O balde é o símbolo de toda nossa frustração com as coisas. A incômoda presença da criança rebelde dentro de nós que não está nem aí para as conseqüências, nos dizendo sempre pra fazermos uma molecagem pela qual sabemos que seremos recriminados. E todo medo de mudarmos nossa vida e nada dar certo… E todo medo de não mudarmos e nunca sabermos como seria nossa vida com escolhas diferentes.

E atrás do balde estão nossos pais, amigos, patrões, colegas, sociedade… todos de cara feia recriminando-nos só de olhar para o balde… imagine de chutá-lo. O grande problema é que o balde está cheio, e nunca sabemos se é o momento certo de chutá-lo, pois podemos nos molhar…

Engolir Sapos
Melhor não tentar isto em casa, crianças!

… e é aí que entram os sapos. Passamos a vida inteira nos deparando com os sapos. Eles estão intimamente ligados ao balde. Aliás, o balde só existe porque existem os sapos.

Os sapos são todos incômodos que passamos na vida. É quando nosso carro velho enguiça e nos deixa na mão, quando a companheira ou companheiro nos recebe com a mesma ladainha dia após dia, quando nosso filho espalha farinha pela cozinha, quando nosso chefe nos enche de trabalho mas não de salário.

O maior problema dos sapos não é que eles existam, mas que temos que engoli-los. E nem sempre é fácil, alguns são grandes, engasgam. Outros são pequenos, mas são tantos, durante tantos anos… que engasgam também. Outros ainda descem rasgando, mas não temos escolha. Mas nem todos dá pra engolir. E nem sempre é adequado cuspir os desgraçados, nem sempre é o momento.

Daria pra resumir a vida como a arte de engolir sapos. Alguns são fáceis de engolir, outros é preciso mastigar muuuuuuiiiitttoo para engolir, mas é preciso, e outros são os que temos que cuspir. E é aí que o balde está de volta: quando cuspimos um sapo… chutamos o balde.

Saber que sapos engolir, saber que sapos mastigar pois não é o momento nem o lugar para cuspi-los e quais jogar de volta é a arte da vida. E chutar o balde… não é algo pra se fazer toda hora – quem o faz é inconseqüente – mas é preciso.

Ao menos uma vez na vida é preciso chutar o balde.

PS: Mas se suas crianças derrubarem farinha na cozinha… jogue neles de volta e divirta-se.

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