Só Porque Estou Longe de Você
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Rafael Goulart (26, Fevereiro, 1991)
Nas férias de 1991 fui à Brasília visitar minha tia e meu primo Alexandre. Eu tinha economizado um pouco de dinheiro depois de deixar o Banco do Brasil (como menor estagiário), e com apoio do meu irmão Evandro fui visitá-lo na Paraíba, onde morava então. Saímos eu e o Xande (ambos com 18 anos) e de “buzu” encaramos 40 horas até Patos na Paraíba. Ficamos na casa do Lacordere, amido do Evandro, e ele chegou no outro dia com minha cunhada, sobrinhos e duas amigas: Cidoca e… Maria José. Paixão à primeira vista…
De lá fomos para João Pessoa, todos meio acampados na casa de outros amigos de Evandro. Saímos à noite e eu tentei, na minha incompetência, dar um “chego” na Maria José, mas errei na mão, levei uma cortada, e fiquei meio cabreiro. No outro dia, na praia, ela fingiu um afogamento, eu a “salvei” e a carreguei no colo até a praia. Minha cunhada depois me contou da armação na qual caí (bem que gostei…)
Aí, de noite, cuidando da “coitadinha”, pintou um beijo… e então passei uns dos melhores dias de minha vida, completamente apaixonado…
Mas eu tinha que voltar, eu e meu primo retornamos à Brasília e mais alguns dias depois retornei à Santa Maria. Aí eu descobri o que é a saudade que uma paixão trás. Como a paixão é fogo, tudo que vem dela queima.
Estava eu na casa do Márcio, 26 de fevereiro, 19 dias após deixar a Paraíba. Estava em meu colchão no chão já de praxe, peguei o carderno e, sem voltar atrás, nem quase corrigir, num tapa, escrevi quase toda letra (apenas um pequeno trecho faltou, como conto a seguir). Aí peguei o violão e a primeira coisa que pensei foi: como é que vou musicar isto? Toquei um dó maior e comecei a cantar: a melodia exata, perfeita, toquei um lá menor, ela continou…
Até hoje me espanto quando isto acontece, mas acho que esta foi a mais impressionante. É como se a música estivesse pronta, e alguém fosse me “ditando” e eu só transcrevendo. Isso me assusta, até. Lembro que achei-a muito montótona (“como posso, como posso…”). Fiz outro trecho para dar uma quebrada, mas quando cantei mudei um verso só e então conclui-se a música e seu título estava lá: “Só porque estou longe de você”.
Há várias músicas minhas que eu adoro, geralmente estou “de amores” pela última que compus, mas esta é aquela que se já não fosse de minha autoria, gostaria de ter feito.
É interessante se dizer que dois trechos, ou como costumo dizer, duas soluções da música são baseados em referências que eu tinha. Uma é a música “Hold me Tight” dos Beatles, que faz uma quebrada na música partindo da dominante (I) para a terça bemol (IIIb), ou seja, DóM → EbM. A outra música é “Copacabana” do Barry Manilow, que faz uma seqüência I7M - Ib7M - VII7M (no caso, C7M – Bb7M – B7M). Eu gosto de colocar isto porque o mundo é redondo, e não dá para dizer que somos 100% originais. Apesar disto, tudo o que circulava ao meu redor gerou algo único e original.
O sentimento que Maria José me causou e que gestou esta canção é algo pelo qual lhe sou grato pelo resto de minha vida. Mesmo com todas as encrencas que ela me casou anos mais tarde…
Sobre a gravação:
Esta gravação em MP3 eu gosto muito, ficou muito forte a interpretação, acredito que não errei nada (mas melhor sempre dá, não é?). Gravada de um take só, direto em MD, no dia 02 de janeiro de 2005, na casa da Esmeralda com equipamento do Jeremias, aqui de Barreiras.






