Silêncio, Gravando! - Parte 1, os primórdios

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007 -- em Bobagens

Meu maior sonho consumista é e sempre foi ter um estúdio de gravação. Não profissional, mas para consumo próprio. Não obrigatoriamente com equipamentos da última geração que o dinheiro pode comprar, mas onde eu possa me divertir buscando colocar numa música aquilo que escuto em minha cabeça.

Ainda estou longe de atingir o estágio que desejo, mas já andei bastante. Até porque preciso de muito chão quebrando a cabeça e estudando mixagem. Mas queria colocar um pouco do meu trajeto até aqui.

Gravador Philips EL3302
Gravador Philips EL3302

Tudo começou com meus irmãos. Evandro (Vando) e Gilmar (Mano) são, respectivamente, 10 e 8 anos mais velho, o que me fazia um mero espectador de suas peripécias. As primeiras gravações que lembro na vida foram seus… preparativos de guerra para gravar músicas da rádio AM com um daqueles famosos toca-fitas/gravadores que a gente carregava pela alça. Ele tinha um microfone tosco… Mas ainda assim era o máximo. Deste modo a façanha era sempre feita em dupla: um ficava aguardando começar uma música na rádio (o que nem sempre era previsível, afinal, mesmo sabendo que ela estava na playlist da rádio naqueles dias era impossível saber quando começaria) e o outro ficava de plantão na porta do quarto para evitar que alguém entrasse durante a gravação (silêncio, gravando!!).

O microfone
O microfone

Além do fato de muitas vezes perderem o início das músicas - como adivinhar! vez por outra os locutores anunciavam, noutras pioravam falando no início ou no fim… - a qualidade era péssima… o som mono da rádio AM, o microfone “peba”, o ruído ambiente… mas tudo era válido para ouvir as músicas da moda enquanto o bolso não permitisse comprar os compactos… Ah… sem contar no fato de que depois de um tempo aquelas fitas ensebavam, enrrolavam… O Mano era mestre em desmontar fitas, desenrrolar, emendar…

E o pior é que a gente ainda olha com nostalgia aqueles tempos…

… com razão.

Curiosidades… tentando achar uma imagem do bicho achei mais do que isto: a história do bicho. Veja: Gravador Philips EL3302.

Ah, quer comprar??? Ebay Espanha (detalhe… já foi vendido no Mercado Livre do Brasil este bicho!!!)
Outros links:
Museu do Áudio
Audiorama

(… to be continued…)

5 Comentários para “Silêncio, Gravando! - Parte 1, os primórdios”


  1. Ai, bons tempos! Sem dinheiro, sem mulher, sem carro…
    Da história do gravador tem uns detalhes importantes: um gurizinho chato (meu irmão tããããooo querido) que fazia barulho durante as gravações - sim, senhor, o que você estava fazendo ali, seu chato?
    E depois nos modernizamos, ou melhor, Vando nos modernizou, pois ele tinha dinheiro: comprou um aparelho que permitia conectar um cabo ao gravador e gravar SEM TER DE SE PREOCUPAR COM O RUÍDO AMBIENTE@!! Lembra?
    Era divertido, e todos nós adorávamos música e ouvir rádio.
    Sim, bons tempos aqueles!
    Um abraço, irmãozinho chato.

  2. Lembrei de mais uma! Nas idas ao Vacacaí, não tínhamos eletricidade… Aí levávamos muitas pilhas médias para podermos ouvir as fitas cassete gravadas “daquele jeito” descrito por você. E, antes de Evandro comprar o bendito adaptador para a eletricidade, nós aprendemos um jeito “infalível” de recarregar pilhas: colocá-las no congelador da geladeira, o que “garantia” umas horas extras de vida às coitadas (e nós acreditamos nesta…)

  3. Importante:
    Esta preciosidade, cujo destino ignoro (andei perguntando para a mãe se existia a chance de estar no sótão, mas não…), foi adquirida no exato dia de 18 de dezembro de 1976, por sinal aniversário do nosso pai, juntamente com um ROTEX (um negócio para colocar um texto em uma fita colorida e adesiva muito usado para identificar pastas)e uma calculadora da Sharp (ELSI MATE EL-8016R), que está à minha frente enquanto escrevo. A calculadora funciona perfeitamente, executando com precisão a funções de somar, subtrair, multiplicar, dividir, raiz quadrada e percentagem. Um luxo.
    Os recursos provinham dos meus primeiros salários recebidos como Menor Aprendiz do Banco do Brasil.
    Como foi dito, era um epopéia a gravação de apenas uma música, pois adversidades citadas eram desse jeito mesmo.
    Quando nosso pai comprou um toca-discos, com rádio e cujos “plugs” serviam para para a gravação direta, sem necessidade do microfone, foi como sair de 286 direto para um Pentium. Uma verdadeira revolução Tecnológica.
    Bom, daí vem o 3 em 1. Mas é uma outra história.
    Boa lembrança Rafael.

  4. Putz… sempre esqueço que o Vando é uma aberração genética, tem um gene de elefante… melhor nem cutucar e perguntar de gols históricos do Grêmio (”Inacreditável” não vale… hehehe…).
    O tal do ROTEX (eu nem lembrava o nome do bicho) dia desses eu lembrei, assistindo a abertura de um filme… E a calculadora eu também lembro… eu brincava com ela, apesar de não ser muito permitido, afinal as pilhas RAY-O-VAC (”As amarelinhas”) não eram tão baratas e duradouras quanto as alcalinas de hoje.
    Aliás… aqui está ela: http://www.devidts.com/be-calc/poc_09191.html

    Em tempo… se precisar de uma calculadora dessas, confiabilíssima como garante meu irmão, está disponíve no E-Bay por pouco apenas 4,27 dólares (aproveite, abaixo de 50.00 dólares e com um pouco de sorte não se paga 60% de taxa de importação!!!)

    http://cgi.ebay.ca/Vintage-1976-Sharp-Elsi-Mate-EL-8016R-Calculator-Box_W0QQitemZ230179243758QQihZ013QQcategoryZ58042QQcmdZViewItem

    E, pechinha, se precisar de um ROTEX… disponível pela bagatela de R$ 25,00 no Mercado Livre!!!

    http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-63467441-rotex-rarissimo-brinquedo-antigo-etiqueta-fita-adesiva-_JM

    PS.: Como podem ver pelas precisas informações de meu irmão, eu tinha apenas 4 anos de idade quando ele comprou o gravador (sou de 1972…), então, todas as influências negativas são deles.

  5. hey :)
    its very interesting point of view.
    Nice post.
    realy good post

    thx :-)

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