Tempo de Espera

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008 -- em Poesias e Textos

A vida moderna nos fez desaprender a esperar. O ritmo louco, os prazos curtos, a moda ou a imposição de aproveitar a vida ao máximo, o “curtir cada instante” nos acelerou tanto… que esperar tornou-se sinônimo de perda de tempo, de passividade. Intervalos entre atividades são preenchidos com outras atividades. Ter uma manhã livre, um tédio, principalmente se estivermos “presos” ou ilhados.

Hoje me senti assim. Vim para Luís Eduardo Magalhães considerando um ritmo em que não teria tempo livre, e na manhã de sábado iniciaria um curso. Mas adiamos seu início para a próxima semana. E agora? Para evitar carregar peso, não trouxe nenhum livro ou material para estudar. No início, bateu-me o “pavor”; depois acabei aceitando a situação. Assisti TV até ter sono, despertei às 8h para não perder o café do hotel. Depois, agüentei o terrível narrador da F1 (nem vou colocar o nome para não fazer propaganda dele) e zapeei para a TVE Bahia, onde assisit dois programas que já havia visto “por cima” e então pude assistí-los integralmente, pois não tinha nada mais o que fazer…

Mesmo assim, ainda havia um outro “problema”: o que fazer depois do almoço? 1h, 1:30h de espera, sentado num restaurante. Almocei com calma (raro nestes dias…), peguei um papel e pus-me a exercitar minha (in)capacidade de desenho (adoraria desenhar, mas não é minha praia). E então restou-me escrever. Componho escrevendo no papel, mas textos… a idéia de ter que passar a limpo me cansa… mas, com tempo “sobrando”…

Acho que desta experiência, que é diferente de estar sozinho apenas mas no seu meio, entre seus livros, músicas, computadores, tirei a seguinte lição: esperar é estar na obrigação de fazer companhia para si mesmo.

E correndo o risco de descobrir que não somos assim tão boa companhia.

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