Palmas, Salão do Livro e o Teatro Mágico
Voltando de Palmas, Tocantins, onde fui assistir ao show do Teatro Mágico acompanhado de Mag(nólia) e da Alana (que entrou de gaiato mas garantiu nossa hospedagem “digrátis”), tinha a intenção de falar do show e o quanto seria maravilhoso. Mas não dá pra falar disso apenas - apesar do show ter sido realmente muito legal. A experiência foi maior do que isso…
Bom, começo pela cidade. Conheci Palmas de passagem em janeiro, fiquei duas horas de madrugada na rodoviária aguardando o ônibus para Barreiras (vindo de Balsas no Maranhão). O que senti daquele pequeno translado de ônibus é que a cidade era um lugar onde tudo era longe, ainda com um monte de coisas a construir.
Isto não é equivocado. Realmente, uma cidade planejada, tudo longe… mas em grande parte plana, com coisas bonitas, e num passeio com nosso anfitrião Mauro (que gentilmente deu uma de cicerone e mostrou até o outro lado da represa) pude ver que é uma cidade cheia de atrativos, arborizada, com um trânsito fluente (que vai permanecer um bom tempo por conta das avenidas largas e bem planejadas)… uma capital super agradável. Agora… Quando eu e Mag fomos achar o local do Salão do Livro, onde seria o show do Teatro Mágico… aí nosso queixo caiu. Que local lindo a praça dos Girassóis e todos os edifícios do governo tocantinense, jardins cuidados… o palácio em frente ao Salão do Livro é maravilhoso.
Ah… o Salão do Livro. Mag ficou feliz de que fosse um evento desses, ela adora, eu também. Mas… talvez para os habitantes da cidade já haja o costume, mas para quem vem de fora… a estrutura impressiona e MUITO. Montada exclusivamente para o evento, um imenso pavilhão em forma de toldo, climatizado, com piso de borracha, praça de alimentação, estandes e mais estandes, vários shows e palestras gratuitos, tudo NO HORÁRIO, nenhum tumulto… várias coisas legais acontecendo, espaço para crianças, espaço para adultos, discussões…
Depois de assistirmos ao show do Teatro Mágico circulamos pela feira e tentamos entrar no espetáculo do Casseta e Planeta em vão - uma fila imensa não nos deu chance. Continuamos então passeando entre livros, nos deleitando e resistindo à tentação de acabarmos com nossas inexistentes economias em tantas tentações literárias. Mas também passavam piratas, moças com vestidos diferentes, para apresentações infantis. Eis que passa um rapaz numa malha vermelha com um capacete prata lembrando o Ultramen. Com um “S” no peito. O parei e perguntei quem era. “Homem Sovaco”, me respondeu. Retruquei: uai, disfarçado de desodorante (o capacete só me fazia pensar nisso…) “Homem Sovaco”, me retrucou. Mais adiante tirei uma foto dele, que gentilmente fez pose de super-herói.
Ainda tive oportunidade de parar num estande de “tudo por três reais” e ao ouvir o comentário de um rapaz sobre uma revista TEX tive a agradável oportunidade de bater um papo sobre Tex, Kit Carson e o resto da “gangue”, além de relembrar o inigualável Groo (site oficial e na wikipedia em português). O rapaz “herdou” revistas do pai e do avô e falava entusiasmado… nossa, boas lembranças.
Cansados, sem possibilidade de assistir o Casseta e Planeta, entramos no “café cultural”, um ambiente bem no meio do salão, isolado acusticamente, todo em madeira, com uma platéia e um palco. Entramos na expectativa de descansar ouvindo uma música, mas estava passando um filme… estranho… até que percebemos que eram diversos trechos de filmes onde se contavam histórias. Olhas na programação: “Café Literário Grego”. Hum… Era o início de uma mini-palestra (ou o final…) de um rapaz de São Paulo que faz um trabalho de contação de histórias em hospitais. O que parecia um chato evento cabeça mostrou-se um momento muito agradável com um contador de histórias (Ilan Brenman)… ele falou de uma experiência muito legal num hospital de São Paulo onde ele e voluntários contam histórias para recém-nascidos e os resultados positivos disto… e então foi contar a história da Odisséia, coisa que eu adorava na juventade apesar de um tanto esquecida. O jeito gostoso e “moderno” de contar fez-me ter vontade de ler novamente.
Muito legal. E tudo terminou com um pocket show de uma cantora chamada Juliana Maia… fiz questão de ver de perto o percussionista que tocava um cajón (eita, precisa arranjar grana para comprar um…), ele tinha uma mal-formação numa das mãos, o que não o impedia de segurar com competência a percussão do pequeno grupo. Que também tinha um violinista excelente, além da agradáve voz da protagonista. Outra boa surpresa.
No final, ainda pude curtir um churros (não é como os de minha terrinha Santa Maria, RS, mas deu pra matar a saudade). Ainda dá para curtir se você estiver lá ou na região. Veja a programação no Site do IV Salão do Livro de Tocantis (de 09 a 18 de maio).
Ok, agora vamos ao Teatro Mágico.
Eu e Mag filmamos, tiramos fotos, dançamos… nos deleitamos com os acrobatas… com o percussionista traduzindo trechos do show em Libras… com o entusiasmo de pessoas que nem sabiam o que iriam assistir… com o os músicos andando no meio do público… em ver tanta gente jovem curtindo algo tão bom… um fã clube pequeno e vibrante juntou-se a várias outras pessoas.
Uma coisa engraçada é que em alguns materiais de publicidade o espetáculo constava na programação infantil (nada demais… afinal as crianças que foram adoraram).
Mas o mais agradável foi depois do show.
Apesar de eu não ter perfil de “tiete” (e nem perto daqueles adolescentes naturalmente enlouquecidos com o pessoal da trupe) queria tirar algumas fotos (mas não comigo, não tenho esta preocupação) e, quem sabe, conversar com os membros da trupe. Bom… eles saíram um a um, aos poucos (atitude sábia). Assim, quando o povo terminava de sugar um, chegava o outro, até que, claro, por último, chegaria o Fernando. Fui tirando fotos deles com os outros, sem atrapalhar a tietagem, até que consegui conversar com o tecladista. Extremamente simpático - aliás, TODOS. Ele comentou que o Fernando ficava sempre até esvaziar, então quem tivesse paciência poderia ter mais tempo. Enquanto esperava, acabamos eu e Mag puxando papo com um senhor de cabelos grisalhos, camisa azul, com um jeito meio estupefato… seu Antônio, de Santos, que estava a trabalho na cidade e entrou por acaso no Salão do Livro e ainda mais por acaso no show do Teatro Mágico. Ele comentou:
“Quando vi aquele povo pintado pensei: poxa, entrei aqui para ver palhaçada… mas quando os vi recitando Fernando Pessoa pensei: palhaço não fala em Fernando Pessoa! E fiquei, e me encantei, eles são fantásticos, acabei comprando um CD, peguei autógrafo, nunca me vi fazendo isso!”
Isto é o que causa o Teatro Mágico.
Com o esvaziamento do pessoal, tivemos contato com Gabi, a acrobata. Absurdamente simpática, nos deu atenção, conversou com seu Antônio, que ficou visivelmente encantado, tirou foto conosco (Mag me convenceu a tirar aquelas fotos clássicas de tiete), e depois ela foi dar atenção a uma criança que estava com o rosto pintado (descobri depois que estavam pintando o rosto das crianças no Salão do Livro, muito lindas). Então pudemos falar com o Fernando, uma tranqüilidade, contei a ele que estive na rádio FM em minha cidade dois dias antes e cantei ao vivo uma música do Teatro Mágico, me perguntou qual é, disse que tinha um site com minhas composições e ele disse: “Precisamos trocar esta figurinha…”
Tiramos fotos “tiete-style” novamente, e então a sensação de que tudo valeu a pena veio: eles são o que são no palco, e fora dele. Todos. Apesar da atenção centrada naturalmente em Fernando, “cacique” da tribo, percebe-se nos arranjos (diferentes do que ouvi em todas as fontes que tive acesso) que são uma irmandade aberta, perguntam o que cada um achou, o que prendeu ou chamou a atenção, ou o que mais se gostou… Nota-se nos olhos de TODOS a satisfação em atender, conversar, trocar idéias.
Sei que são pessoas comuns, com defeitos, que vão ao banheiro, mas deixam a gostosa sensação de que ainda vale a pena lutar por boas causas…
Acho que os fãs terminaram o espetáculo da forma mais adequada: um coro de “obrigado, obrigado”.
Obrigado, Trupe do Teatro Mágico.







Quinta-feira, 5 de Junho de 2008 ás 16:45
Obrigada pela sua impressão de nosso estado… cidade e pricipalmente desse tão grandioso e precioso evento que com certeza contribui grandemente o nosso crescimento cultural.
Sábado, 29 de Novembro de 2008 ás 19:31
Que experiência bacana…
Fiquei com invejinha