QUE SAIA!
Rafael Goulart - 24jul2008 00:10h
Ás vezes é tanto pra sair
Que não sai
Os poros, a boca, todas as aberturas
E nem que à faca abríssemos um buraco
De todo nosso tamanho
Ainda seria pequeno
Pra sair
Talvez por isso,
É, talvez seja por isso,
Que trancamos
Como medo de, ao sair,
Explodirmos
Nos expormos
Nos fragilizarmos
Às vezes deixamos sair um pouco
Mas seria este pouco o mais importante?
O essencial?
O suficiente?
O resto, o que fazer com ele?
Deixar dentro de nós?
Apodrecendo, deteriorando,
E nos intoxicando de dentro pra fora?
Deixar que nos corroa até à morte
Mesmo uma morte apenas interior
E vagar feito zumbis
Entre outros tantos
Não!
Não!
Não!
Mil vezes não!
Que saia, que exploda!
Mas, que ao explodir,
Que me espalhe pelo mundo!
Espalhando minha voz,
Meu canto,
Minha palavra,
Meus olhares,
Meu amor…
E que eu viva assim
Aberto,
Desnudo,
Mas viva!
Não!
Não!
Não!
Mil vezes não!
Não quero morrer com tanto
Tanto pra dar
Tanto pra dizer
Tanto pra ser
Não morrer
E continuar perambulando
Quero ser, estar, viver,
Aqui, agora
E para sempre
Quero continuar
Para todo sempre
Sendo parte de tudo
E de mim mesmo
E que tudo que tenho
O tanto que tenho
Não seja apenas meu
Mas de tudo
E de todos
Sim!
Sim!
Sim!
Sim, quero ser, estar
Viver
Aqui, agora
Tanto quanto
Me for possível
Portanto…
QUE SAIA!






