Resposta a uma escritora indecisa

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 -- em Poesias e Textos

Conversava eu com uma amiga (grávida) no MSN, ela enviou-me um texto seu, belíssimo, profundo, verdadeiro… sempre a incentivei a escrever um livro… mas ela sempre deixa para lá… então eu lhe disse o que segue:

… e você devia sim escrever um livro… ou no mínimo ter um blog…

Não precisa publicar (“as palavras que escreve”) quando saem, pois neste momento realmente é uma exposição.

Mas, depois de um tempo, quando os sentimentos já estão compreendidos e/ou “domados”, eles não expõe mais, e podem ajudar outras pessoas que não tem a facilidade de escrita que tens… É como quando componho uma música triste… geralmente ela fica guardada um bom tempo até que eu me sinta bem para divulgá-la. Então percebo sua força, sua missão e função…

É como quando vemos o que escrevemos na adolescência… tão intensos na hora, tão tolos hoje…

Uma vez me disseram que era egoísmo de minha parte “esconder” o que componho. Pode ser medo da reprovação, também, mas acho que é verdade: é egoísmo. Quantas e quantas pessoas gostariam de poder compor, ou escrever, ou desenhar, e muitos dos que têm estas capacidades se enclausuram no próprio perfecionismo…

… ou no medo de se expor.

Menina, o músico, o escritor, o pintor… se expõem, sim. Mas vivem!

Escreva quando precisar, vá organizando… deixe as coisas se aclararem. Nem se preocupe com o tempo, não tens necessidade! Não estou dizendo pra escrever um livro e sair catando editoras, apenas… escreva…

… e leia o que escreve!

Mesmo que só você… mesmo que apenas poucas pessoas em quem confie…

… ponha-se pra fora!

Você escreve com uma clareza e força impressionantes, mas ainda se contém, ainda tens medo da exposição - mas isto não te faz mais vulnerável, pelo contrário!

Mais forte é a parede que sabemos como é feita e mesmo assim não conseguimos derrubá-la! Aproveita este turbilhão de sentimentos e escreve, escreve, escreve… depois você olha tudo e vais compreender o nó que os amarra…

… e SE compreender melhor, entender tuas virtudes, defeitos, limitações, angústias, identificar tolices, constatar fortalezas, identificar fraquezas…

… mas, minha querida flor, ESCREVA!!

Olha para tua barriga e ESCREVA!

Olhe-se no espelho e ESCREVA!

Olhe para a roupa que estás lavando e ESCREVA!

Pare, a qualquer momento, e ESCREVA!

Deixe sair, tropego, atropelado, pois no exercício de libertar-se é que você vai compreender a própria razão de porque estás fazendo… não dê bola para críticas… não vais vender, não é esse teu interesse!”

Só entenderás a razão do teu dom quando sentires o efeito que causa nas pessoas.

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