O Abismo Entre Dois
Rafael Goulart, 19NOV2009 07:47h
Cheguei na beira pra ver
O abismo entre dois
Precipício existente
Entre dois corações
Abismo feito de meias verdades
Mentiras inteiras
Palavras traiçoeiras
Ironias refinadas
Sutis alfinetadas
Feito de bons momentos enterrados
Sorrisos engavetados
Admiração engarrafada
Estradas desencontradas
Cheio de erros grosseiros
E de acertos incompreendidos
De boas intenções (como o inferno)
E de outras nem um pouco boas
Abismo feito do Bem e do Mal
Do Bom e do Ruim
Do que se foi
Do que se é
Do que não se quer ser
Este abismo, em realidade
Não está entre dois
Os dois estão dentro dele
Ambos atolados em seu lodo
Ambos afundando em sua lama
Ambos lutando por ar
De um lado e de outro
Íngremes encostas
E a angústia da luta inglória
A dura luta de escalar uma encosta
A luta de sair do abismo
Divididos entre dois medos:
O de escalar sozinhos
E o de escalar juntos
Entre o risco da solidão
- que parece infindável -
E o risco de, num momento,
Num cansaço, num tropeço,
Faltar aquela mão
Que se julgava certa estar ali
Entre o medo de ter
E o medo de ter e não saber cuidar
No fim, este abismo
Não é só o que aos dois afasta
Mas o que aos dois afunda.







Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 ás 09:24
Gostei. Bem escrito e bem rimado, texto puro e musicado, da prosa entre dois corações, perdidos e cansados, de tanto bater, nadar, se cansar, e n’agua morrer.
Já tentou musicar isso no violão?
Abraços.