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Surfista

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart / Márcio Bernardes (1988)
Acho que foi a primeiríssima música que fizemos, eu e o Márcio (de Souza Bernardes). Tinha eu uns 15 para 16 anos, Márcio dois anos mais novo. O tema - tema?!?!? - uma grandissíma bobagem: um surfista desastrado… Coisas de adolescente. Mas, como nada é tão ruim quanto parece, esta música tem seus pontos “positivos”: utilizamos todo nosso conhecimento harmônico nela - tudo bem, tudo bem, só sabíamos estes 3 acordes (Fá, Sol e Lá Menor) e que ainda por cima saíam abafados porque o Márcio não tinha força para fazer as pestanas(1). Eu não tocava ainda, estava começando. A música fazia o maior “sucesso” nas reuniões dançantes de nossa turma, que, evidentemente, só pensava bobagem como nós. E é claro que isto nos deu a ilusão de que “tínhamos futuro”!!!

Sobre a gravação: Tosca! Em casa, com mesinha Staner, Microfone Lesom, Violão Eagle e muita, muita cara de pau.

(1) aquela posição no violão em que o dedo indicador abafa todas as cordas, e que exige um razoável força e treino…

Querer é Poder

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart / Márcio Bernardes (1988)

Antes da auto-ajuda virar moda eu e o Márcio já tínhamos identificado a tendência e fizemos esta música (putz, que pretensão…) Querer é poder uma canção bastante razoável para dois adolescentes metidos a mudar o mundo. Gosto dela, da sua ingenuidade, da sua vontade de ajudar a quem não está legal, de dar uma força.

Lembro alguns de anos atrás, lá por 1994, 1995, em que eu rechaçava esta e outras músicas desta fase. Eu as tachava de ingênuas, imaturas, infantis, pobres musicalmente. Isto é uma bobagem. Esta e outras canções minhas (e em parceria com o Márcio) são, realmente, ingênuas, imaturas, infantis e pobres musicalmente. Mas ajudaram a nos construir, e se não tivesse começado com elas nunca teríamos feito nada… eu não seria compositor e Márcio, o grande poeta que é.

Hoje respeito e curto esta música com um sorriso no canto dos lábios, deixando passar todas aquelas histórias que aconteceram na época, os “ensaios”, as conversas “sérias” sobre o futuro da “banda”, que aliás nunca teve nome.

Só pra encerrar, esta história do nome da “banda” que queríamos montar tem um fato curioso. Eu dormindo lá na casa do Márcio, quase dormindo, tenho uma “visão” e digo pro Márcio: “Ei, cara, o que acha do nome ??? para a banda?” E ele, já meio dormindo, responde: “Legal, cara!”. Bom, como vocês podem ver, este foi o único bom nome que encontramos, e é claro que na manhã seguinte já havíamos esquecido.

Dúvida existencial e cruel: será que se lembrássemos o nome teríamos formado uma banda internarcionalmente famosa e estaríamos montados na grana com uma tonelada de garotas histéricas loucas pra fazer qualquer coisa para transar com a gente? Ó, que dilema terrível!!!!!

Romeu e Julieta

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Márcio Bernardes e Rafael Goulart (1988)

Não é preciso ir muito longe nem ouvir muito para descobrir a influência desta música: Legião Urbana. O primeiro LP que comprei, de mesada, foi o primeiro LP do Legião, que tem Geração Coca-Cola, Será, Ainda é Cedo… Depois, gravei em fita o “Dois”, que quando já etava quase gastando ganhei de aniversário o LP de meus pais (agradecimentos a meu irmão Gilmar que lhes deu a dica).

Eu e Márcio queríamos contar uma história, fazer uma música meio “Eduardo e Mônica”. Claro que tínhamos que fazer algo “engajado”, e falar sobre um tema “cabeça”, no caso, o preconceito. Na época ficamos empolgadíssimos com o resultado. Olhando hoje, acho que apesar da ingenuidade da abordagem, é uma música muito legal. Já mostrava nosso jeito para escrever, não que sejamos o “ó do borogodó”, mas os adolescentes, cada vez mais, se expressam muito mal no papel.

Outra coisa que julgo interessante é que a música tem um clima crescente, chega o clímax e termina como um conto de fadas - amoral no final, mas sem o final feliz.

Há quem possa dizer: “Ah, Romeu e Julieta conta uma história de romance de adolescentes de famílias rivais, e não de pobres e ricos”. É verdade, mas há o preconceito também. E, calma lá, dêem um desconto: éramos adolescentes também.

O Caminho

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart (1989)

Esta música, eu bem lembro, estava na sala de aula, 3º do ensino médio. É sonhadora, aquela coisa de querer mudar o mundo, meio “imagine all the people”, guardadas todas as proporções (aliás, sem comparações, senão o John Lennon é capaz de levantar da sepultura para me dar uma surra, muito merecida por sinal).

Não tenho mais o manuscrito, mas lembro de tentar contar as sílabas, aquela coisa de métrica, onde aliás a música não é perfeita, mas foi um começo. Métrica é uma coisa importante para compor (mesmo que não seja obrigatória e às vezes uma amarra desnecessária), pois facilita para encaixar a letra na melodia.

Também me recordo de tentar fazer um dedilhado “difícil”, de querer rebuscar a música. Iria conseguir melhores resultados pouco tempo depois, com Alguém e Meu Sonho.

Em tempo: esta música teve uma “continuação” em forma de poesia, muitos anos depois: O Caminho 2.

Chuvas de Sábado

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Márcio Bernardes e Rafael Goulart (1989)

Haveria uma festa no bairro onde eu morava com meus pais. Era da turma da Natação de que fazíamos parte. O Márcio foi lá pra casa, e na hora em que íamos sair… caiu o maior toró, um tromba d’água dessas bem típicas de Santa Maria.

Sentamos na sala, a porta aberta, o Márcio pegou o violão e começamos a fazer este sambinha. Chegamos num acordo: samba tem que ter “ôôô”. Então começão no teminha manjado SIm - FÁ#7 - MIm - FÁ#7 - Bm. Mas não saía do refrão. Aí o Márcio chutou um RÉ e em forma de rock e a bobagem tomou conta…

Maior diversão. A letra é uma bobagem, mas foi muito divertido. A chuva não passou, meu pai nos deu uma carona no fusquinha vermelho e fomos para a festa. Que estava um saco, diga-se de passagem.

Mas a noite foi memorável…

O Meu Sonho

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Rafael Goulart (1989)

Esta foi a primeira canção que fiz para uma garota. Engraçado: Não foi porque estava “apaixonado”, mas simplesmente porque ela era bonita, muito bonita, e um doce de pessoa. Era mais velha do que eu (eu tinha uns 16 anos, acho que ela uns 19 ou 20), seu nome é Marione Mainardi. Nunca mostrei a música para ela. Nunca tive oportunidade (e se tivesse, acho que não teria coragem…) Pensei: ela merece uma canção.

A letra fala de uma paixão platônica, de forma simples e ingênua, mas cuidadosa e romântica. Não lembro como cheguei à harmonia, mas lembro que era bem diferente e mudei por que ficou muito parecida com “Woman” , do John Lennon (a seqüência MiM - F#m – G#m). Valeu a pena, pois ficou orginal e bonito.

Um fato curioso é que o Márcio, grande amigo e parceiro (e poeta, ao contrário de mim), na época no Ensino Médio, estava em sala de aula quando a provessora de português pediu aos alunso para escrever uma poesia. Num momento de absoluta falta de inspiração, escreveu a letra desta canção, alterando somente o trecho “mas como eu queria que gostasses de mim” por “mas como eu queria que isto não fosse assim” porque achou mais poético. O problema foi que a professora gostou e quis que ele inscrevesse a poesia num concurso da escola. De saia justa, veio pedir minha permissão para mim. Eu disse: “Ué, agora vai!”

A poesia acabou ganhando menção honrosa, e ele manteve a cena…

E Eu Que Pensei

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart (1989)

Eu andava meio cabreiro de só fazer canções “calminhas” e nós íamos tocar num banda de rock! Eu tinha uma guitarra (“Ei, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica…”). Que absurdo! Eu “precisava” fazer rock “de verdade”! E rock “de verdade” é rebelde, portanto a letra tinha que ser rebelde.

Sugiu então E Eu Que Pensei. Apesar da “motivação”, a letra não era uma rebeldia só porque tinha que ser rock rebelde. Eu era meio revoltado, como todo adolescente saudável, e era revoltado com a pressão de ter que ser igual, de ter que seguir uma vida assim ou assado. Coloquei um pouco da minha revolta com a escola, apesar de que eu sempre fui aluno exemplar, todo certinho, trabalho desde os 14 anos, comportado… Até a oitava série tinha alguma preocupação com notas (pense: menor média da 4ª à 8ª série foi 8,6…). Mas no segundo grau (ensino médio, nossa estou velho, mas ao menos não fiz ginásio, hehehe…) não me importava com notas, aprendia o que me interessava. Na escola estadual em que estudava a média para aprovação diminui de 7 para 5, entaõ no 3º bimestre (ou unidade como se fala aqui no nordeste) já estava passado em todas as disciplinas, a não ser em matemática, pois tirava duas notas 10 e passava no segundo… Mas nunca gostei da escola - gostava do convívio com colegas, professores e funcionários (não todos claro, mas isto é normal).

Engraçado, neste ponto vejo que continuo muito parecido. Retomei a faculdade em 2004, 12 anos após sair da UFSM em Santa Maria para tomar posse no Banco do Brasil, razão pela qual abandonei os estudos formais. Minha motivação para terminar a faculdade é pura sobrevivência. Tiro boas notas por razões mercenárias - há uma bolsa para o melhor aluno de cada curso. E continuo não gostando do meio acadêmico - só do convivio com com colegas, professores e funcionários (não todos, mas isto continua normal).

E Eu Que Pensei pode até dar um rock legal na voz de alguém mais compentente pra coisa. Minha voz, infelizmente não foi feita para este estilo (pena…)

A letra está incompleta, vou tentar consegui-la inteira com o Márcio, que tem um caderno com as letras de nossas músicas da época…

Alguém

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart (1989)

Me é doido perceber como esta canção me é atual, é a minha cara, que mostra uma parte de mim que é muito forte: a necessidade de alguém. Mudaram as formas, mudaram os requisitos, mas a necessidade é a mesma, com dá para ver em “Alguém pra mim”, composta uns 15 anos depois.

Como nunca fui namorador, nem tenho jeito “matador” ou de “Don Juan”, mas sim um sonhador, que ficava esperando “aquela” guria (que nunca chegava, ou que nunca me dava bola), acabava por me sentir só. Hoje vejo que perdi algumas oportunidades de namorar garotas legais, mas também evitei exposições e sofrimentos inúteis. É engraçado pois isto é muito, muito atual.

Tenho apreço por esta canção. É redonda, fiz uma tentativa de realçar a linha do baixo. Apesar da seqüência harmônica comum (I – I7M – I7 – IV – IVm), há uma boa criatividade, e consegui explorar bem meu pouco conhecimento da época. É interessante salientar que fui muito guiado pelo ouvido: isto soa bem, fica; isto soa mal, sai. Hoje entendo que tudo que ouvimos é reutilizado, e se vamos mesclando várias coisas, mesmo intuitivamente, mesmo sem perceber, podemos criar coisas novas e belas.

Em tempo: muitos anos depois fiz referência a esta música na poesia O Caminho 2.

Só Assim

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart (1990, talvez)

Tenho um carinho especial por esta música. Ela fala de um tema muito estranho para um adolescente: a morte. É um pouco assim “auto-ajuda”, dar uma força quando alguém está baixo astral. É bem típico das coisas que eu e o Márcio – grande amigo e parceiro de composição naquela época – fazíamos, mas também mostra um pouco da melancolia que me persegue.

Nunca, nunca pensei em suicídio, mas às vezes cansa ficar lutando, sobrevivendo… Dá vontade de dar um basta, e o que pode parar isto? A morte… Não é meio estranho que algo que não queremos e que tememos às vezes parece ser a única cura que encontramos para nossos males?

Hoje costumo fazer um exercício quando me abato a este ponto: andar pela cidade. Algumas lojas suntuosas podem causar inveja, mas é só encontrar o primeiro pedinte para eu cair na real: estou melhor que mais da metade da população da Terra. Tenho uma cama, roupas dignas (mesmo que não novas, ou de “marca”), uma empregad (é!) para fazer um almoço gostoso, posso ver meus filhos duas finais de semana no mês, eles gostam de mim, posso trablhar, tenho capacidade para trabalhar… como somos tolos…

“Só Assim” eu compus para mim mesmo. A harmonia tem um pouco da música “Borderline” da Madonna. Mas não lembra esta música, e hoje até acho complicado provar isto, pois eu mudei muita coisa quando vi que a estava deixando parecida demais, em especial na harmonia.

Como disse tenho um carinho especial por esta música, ela transparece muito de minha melancolia… muito de eu querer não passar aos outros minha tristeza, ser aquele que sempre dá uma força… Me esconder, me proteger…

Tchau, Menina

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Antes de Tudo
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Rafael Goulart (1990)

Esta é uma das poucas músicas que fiz que são soltas (acho que é a única…). Solta porque fala de um sentimento que não é meu nem inspirado em ninguém. Acho isto meio chato. Parece coisa feita para a mídia, sei lá. A música é meio jovem guarda, e leva o meu vício da época de fazer músicas lááá em cima, exageradamente agudas. Na época até alcançava, hoje… só muito bem aquecido. Não tenho uma técnica vocal apurada para manter agudos durante muito tempo, e nem sempre sai. Tenho problemas com outras músicas minhas, mas ao menos nelas faz sentido tantas notas altas.

Durante um bom tempo não quis mostrar esta música porque a achcava muito parecida com algo que tinha ouvido, achei que meu ouvido tinha traído e estava plagiando algo. Um dia a mostrei pro Márcio e ele gostou, ai desestressei.

Acho esta canção muito bobinha, não sou fã. Mas, filho é filho, mesmo que seja ladrão, maconheiro, agiota, advogado… (putz, advogado já e demais!)