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Morena da Barra

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em E essa coisa toda continua
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Rafael Goulart (05, Janeiro, 2005– 11:48h)

No final do ano de 2003 houve a primeira Mostra de Cursos na FASB, faculdade onde trabalho e estudo. O Professor Jean resolveu juntar os alunos, professores e funcionários que tocavam para fazer uma pequena apresentação. Várias pessoas apareceram, mas como sempre nessas horas ficam poucos no final. Bem, ensaiei para tocar com Jonas, que tempos depois se juntou comigo, Júlio e Darlan para tocar na incrível banda OS LOBO MAU (mas deixe este assunto para depois…), um professor que sempre esqueço o nome, mas que é seresteiro e toca chorinho, boleros de forma simplesmente divina (toca sempre no Vieirinha, um bar de boêmios aqui de Barreiras) e Rosane.

Rosane é uma garota de Barra, BA, que veio para Barreiras cursar Enfermagem (ai, ai… eu e minha queda por enfermeiras… tenho, mas, quem não tem?). Ela ADORA forró, cantava numa banda de forró lá na Barra, apesar de se esconder atrás das caixas de som de vergonha.

Uma voz simplesmente maravilhosa.

Carinhosamente a chamo de “A enfermeira do forró”, com aquele vozeirão de apresentação destas bandas de forró e afins. Ensaimos algumas músicas, tive que cutucá-la para cantar algumas coisas, mas bastou um copo de conhaque antes da apresentação que ela se soltou. Uma coisa muito legal que fizemos foi tocar “Lost in Love” do Air Suply, que tem uma versão em português feita pelo Limão com Mel (a banda favorita dela). Ela cantou em português e eu em inglês, revezando e no final juntos… muito legal mesmo. Sem preconceitos (e olhe que eu detesto a maioria/totalidade destas (a)versões feitas por estas bandas).

No início de 2005 ficamos trocando mensagens, ela estava de férias na Barra, e acabei fazendo o que era para ser um forró e ficou um reggae. Saiu assim, fazer o quê. É uma música leve, uma brincadeira… Ela é brava que dói, mas muito querida. E eu adoro mulher brava… parece doença…

Vergonhosamente, nunca toquei esta música para ela. Ainda me redimo desta culpa.

Esmeralda

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em E essa coisa toda continua
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Rafael Goulart (07, Janeiro, 2005 – 00:31h)

Uma das primeiras pessoas que encontrei depois que me separei foi Esmeralda. É meio doidinha, ela mesmo diz. Sempre envolvida com sua músicas, seus projetos de banda, mas sempre enrrolada com o trabalho que não lhe deixa fazer mais nada. Sua companhia foi uma das coisas mais importantes nesta minha fase tão dura. Engraçado, ajudar-lhe nos seus problemas ajudou-me a ter força para enfrentar os meus.

Esmeralda tem muitos sonhos, mas sempre se desvia deles, sempre se deixa abater. Fiquei muito tempo querendo fazer uma música para ela, sem conseguir. No início do ano de 2005, num período em que eu ainda tinha muitas incertezas, acabou-me vindo a inspiração para fazer-lhe esta música, após uma conversa (das nossas inúmeras) sobre seu sonhos, sua vontade de desistir e tudo mais. Esta é uma música que tenta passar o seguinte: não adianta apaixonar-se pela meta, é preciso amar o caminho. Vemos um atleta vencendo uma olimpíada mas não enxergamos os anos de dedicação para chegar até aquele pódium. Vemos um cantor num palco, mas não vemos quanto ele ralou, cantou em lugares escuros, com um som terrível, por uma ninharia, até achar seu caminho e encontrar o sucesso.

E é isso que tento passar na música. Uma harmonia cuidadosa, uma letra que considero muito bem cuidada, sem ser esnobe ou elitista, apenas delicada. Como ela merece. Um presente, daquilo que mais meu posso dar, para esta grande amiga.

Fingimento

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Rafael Goulart (10, Agosto, 2005)

Silvana…

Bom… nestas minhas indas e vindas pela internet conheci Silvana. É minha arquiteta em crise existencial viciada em spinning preferida. Encantadoramente chata, adoravelmente em eterna crise, lindamente entediada. Esta é Silvana.

Muitos dias passei unicamente a incomodando para evitar que seu dia fosse mais entediante do que o costumeiro. Inventei inclusive a “bobagem da hora”, de hora em hora eu inventava um bobagem só pra ela ficar esperando… um barato.

Nossa, escrevi tanta bobagem pra ela…

Eu perdi uma arquiteta
Ela é assim meio branquinha
Faz spinning
Bebe coca
Eu perdi lá no jardim
("Eu perdi o meu galinho", cancioneiro popular)
Você é linda
E chata demais
Você é linda sim
Larga o Autocad
E faz cafuné em mim...
("Você é linda", Caetano Veloso)

… e outras tantas. Mas foi interessante como ela me inspirou a fazer uma música tão… apaixonada, acho. Lembro que foi a primeira música em que o processo de criação compartilhei com a “musa”. Eu estava muito confuso, não conseguia tirar nada de mim, no processo que eu chamo de “parto”. São músicas complicadas de sair. Já estão lá, mas não saem. Passei uns dias ouvindo músicas que estavam me chamando atenção na época, buscando um início, um começo… até que acordei uma manhã cheio de músicas na cabeça, e gritei internamente: “calado!”. Então, naquele momento de silêncio interior, veio clara a melodia e o iníco da letra… mas era hora de levantar, tomar café, ir trabalhar… no ônibus para o trabalho fui rabiscando a letra, pois a melodia estava nítida em mim, foi fácil… a letra toda atrapalhada pelo balançar do ônibus… assim que tive oportunidade no dia passei para ela trechos da música… e assim foi até que cheguei em casa e terminei-a.

Bom, agora era mostrar para ela. Eu tinha seu celular, então uns dias depois cheguei em casa depois da aula e tentei ligar… putz, maldita VIVO!!! Morra!!! Não conseguia ligação. Ela estava longe de casa, a trabalho. Fiquei chateado, mas não tinha muito o que fazer.

No outro dia, peguei também o número do hotel. Mas a primeira tentativa foi no celular… Bingo! Bom… consegui emprestado aqueles fones para celular, liguei o violão no som para amplificar um pouco e equilibrar a voz, coloquei a letra na frente (demoro um pouco para decorar minhas letras…) e foi!

É uma sensação maravilhosa poder cantar a música que você fez para sua musa, para a garota a quem é dedicada. Seu silêncio emocionado é algo indescritível: vale todo o esforço! O frio na barriga, o medo de não agradar, tudo…

Quem quiser entender este sentimento, este frio na barriga, assista “Antes do Pôr do Sol”, continuação de “Antes do Amanhecer”, com Ethan Hawke e July Delpy. (veja sinopses e críticas do dois filmes aqui e aqui). Em certo momento a personagem de July Delpy canta uma música que fez para a situação do filme anterior (o interessante é que July Delpy, ela mesma, compôs a música). A emoção dela cantando… é bem o que senti. Tanto que comentei do filme antes de tocar a música para Silvana.

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand

You where for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain

“A waltz for a night”, de July Delpy - letra - mp3. Esta é a versão do filme, não de estúdio.

Compor é uma das coisas que mais me faz sentir vivo. E agradeço sempre a cada garota que me causou o sentimento que deu início a cada canção, por menor que fosse, por simples e tola que fosse.

Obrigado, Silvana.

Sobre a gravação: Esta gravação foi meu primeiro experimento caseiro de fazer um “quase” arranjo. Guitarra, baixo, voz e meu falecido pandeiro, que Deus o tenha (apesar de que deve estar no inferno, de tão ruim que era!). Apesar de, claro, ter muito o que melhorar, fiquei feliz com meu experimento, a gravação, a linha do baixo, ficou legal. Espero que agrade.

Me Beija

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Rafael Goulart (10, Agosto, 2005)

Existe uma música da qual sou fã chamada “Kiss Me”, de um grupo chamado Sixpence None The Richer. A tradução é “Me Beija”. A letra é bem diferente, de tradução difícil, mas fala de coisas simples, como de um namoro, e de aproveitar momentos simples para fazer uma coisa muito bonita - beijar.

Adoro beijo, acho importante o beijo. Me preocupo com a banalização do beijo hoje. Podem me chamar de careta, retrógrado ou o que for. Não beijo qualquer garota, mesmo sabendo que aquela que pode ser para mim “qualquer uma” pode ser “a mulher” para outro. Mas não faço isso por aí. Não sou de ficar, não é meu estilo… não recrimino ninguém, não julgo ninguém, só não sou assim.

Um dia eu estava no batendo papo com Luciane, uma garota aqui de Barreiras que conheci na internet, e me deu vontade de escrever sobre o beijo. Então fiz esta poesia, e mandei para ela via intenet. Ficou nisso. Uns dois meses depois peguei a letra e comecei a dedilhar alguma coisa e acabou encaixando, pois a métrica da poesia não era tão doida assim. Ficou legal, gosto desta música.

A letra é uma “ode ao beijo”. Mostra o beijo em três fases da vida: no namoro, no início do casamento, na velhice. É, evidentemente, uma menção ao casamento… É, eu sou casamenteiro…