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Ano Novo… de novo

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 -- em Poesias e Textos
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Lembra daquele momento bom?Aquela risada, aquela leveza?Aquele toque, aquela brincadeira?Aquele dia de sol, aquele mergulho no mar?Aquela filme, aquela notícia boa?Aquele dia em que acordamos (qualquer dia!)?Ou aquela noite acordados (ou dormindo, tanto faz!)?É, parece longe.Parece longe porque é mais fácil lembrar do que deveríamos perdoar.Parece longe porque traiçoeiramente é mais simples, mais cômodo arranjar desculpas quaisquer que sejam, para justificar nossas atitudes, para termos razão, ou, simplesmente, para sermos amargos.Culpa da vida, sempre dela.Pois então, se precisamos eliminar a causa dos sofrimentos, então, que eliminemos a vida.Sim, eliminemos a vida.Não, suicídio, não. Eliminemos o que achamos que é vida.Pois a vida acontece e ficamos fazendo planos (parafraseando John Lennon: “Life is what happen to you when your busy making other plans“). Planos são amanhã enquanto a vida é hoje.Tristezas e alegrias do passado estão lá mesmo - no passado. Alegrias passadas pouco adiantam, pois se hoje não construímos novas alegrias e deixamos que apareçam tristezas, as alegrias passadas são inúteis - mas, amaldiçoadamente, as tristezas passadas somam com as de hoje.Por que assim? Porque deixamos. A vida é como deixamos que ela seja.Então, melhor não deixar que ela seja assim, nos rebelarmos. Não contra a vida, mas contra nós, que deixamos que a vida seja assim.Ano novo é sempre sinônimo de renovação, novos planos, novas metas. Mas, claro, todo ano fazemos, e todo ano nos frustramos, ou nos iludimos com o que fizemos (pois, ao final de alguns anos, fica claro que muitas escolhas “importantes” são inúteis, muitas alegrias são fúteis, desejos satisfeitos não satisfazem, pois outros desejos tomam seu lugar). Mas, pasmem, estamos em novembro ainda, faltam mais de quarenta dias para o Reveillon!!!Pois bem, informo que acaba de ser criado um novo calendário, o calendário do meu Ser.Começa hoje, é o ano zero. Mas, quando for amanhã, também começará amanhã. E assim por diante.Qualquer dia então vai começar meu ano novo, cheio de renovação, de brilho nos olhos, de sol e de respirações profundas.E então não vou mais precisar lembrar de bons momentos, pois estarei vivendo-os.E se vierem tristezas, não tem problema, pois amanhã é Ano Novo de novo, e as tristezas passam…Então, para todos, um Feliz Ano novo.

O Abismo Entre Dois

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart, 19NOV2009 07:47h

Cheguei na beira pra ver
O abismo entre dois
Precipício existente
Entre dois corações

Abismo feito de meias verdades
Mentiras inteiras
Palavras traiçoeiras
Ironias refinadas
Sutis alfinetadas

Feito de bons momentos enterrados
Sorrisos engavetados
Admiração engarrafada
Estradas desencontradas

Cheio de erros grosseiros
E de acertos incompreendidos
De boas intenções (como o inferno)
E de outras nem um pouco boas

Abismo feito do Bem e do Mal
Do Bom e do Ruim
Do que se foi
Do que se é
Do que não se quer ser

Este abismo, em realidade
Não está entre dois
Os dois estão dentro dele

Ambos atolados em seu lodo
Ambos afundando em sua lama
Ambos lutando por ar

De um lado e de outro
Íngremes encostas
E a angústia da luta inglória
A dura luta de escalar uma encosta
A luta de sair do abismo

Divididos entre dois medos:
O de escalar sozinhos
E o de escalar juntos

Entre o risco da solidão
- que parece infindável -
E o risco de, num momento,
Num cansaço, num tropeço,
Faltar aquela mão
Que se julgava certa estar ali

Entre o medo de ter
E o medo de ter e não saber cuidar

No fim, este abismo
Não é só o que aos dois afasta
Mas o que aos dois afunda.

A Semente

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart - 28ago2008 - 1043h

A paixão é um flor.
Gostamos de colher flores, são belas.
Nos encantam.
Nos fascinam.
Nos agrada andar com elas.
Mostrar a todos.
Sentir seu aroma, suas cores.

Nos frustramos quando a flor murcha.
Por mais que a reguemos no jardim.
Por mais que troquemos a água do vaso.
Ela nos entristece com sua morte.

Às vezes nos descuidamos.
A flor morre mais cedo.
Um vento forte.
Um animal.
Ou esquecemos de regá-la.
E parece, então, sem sentido.
Sem sentido cultivar outra flor.
Permitir-nos inebriarmos com sua beleza e aroma.
Se, adiante, ela nos frustrará.
Inevitalmente.

Acontece que a flor é um meio.
Um condutor.
Um mensageiro.
Pois o que ela nos traz de melhor não é o que vemos na superfície.
Não é a beleza ou o aroma inebriantes.
Não.
Isto é o mesmo que atrai as abelhas.
Não.
Mesmo as abelhas vão mais fundo na flor.
Pegam seu néctar.
E ainda sim, não vão fundo o suficiente.
Pois está mais dentro.
Está dentro.

A flor é apenas um meio.
Mas ainda antes há o fruto.
Que vem da flor.
O fruto é deleite.
Que nos alimenta, nos delicia muitas vezes.
Que também tem aroma enebriante.
Mas ainda assim, há de se ir mais dentro.
Pois o fruto também é um meio.
Ele serve para guardar e proteger.
Guardar e proteger a semente.

Esta sim, vem da morte da flor e do fruto.
Mas traz consigo a renovação.
A vida nova.
Novas vidas!
A força, a vitalidade.
E até ironicamente nos devolve as flores.
E os frutos.
Assim, incessantemente.
Num ciclo que só cessa se o impedirmos.
Este é o ciclo da vida.
Esta é a vida verdadeiramente.

Não podemos, então, achar que a vida são flores.
Nem frutos.
A vida está semente.
De onde tudo nasce, de onde tudo que vive se origina.
E pra onde tudo retorna, para nascer de novo.

Se a flor é a paixão,
Se o fruto é o deleite,
A semente é o amor.

Resposta a uma escritora indecisa

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 -- em Poesias e Textos
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Conversava eu com uma amiga (grávida) no MSN, ela enviou-me um texto seu, belíssimo, profundo, verdadeiro… sempre a incentivei a escrever um livro… mas ela sempre deixa para lá… então eu lhe disse o que segue:

… e você devia sim escrever um livro… ou no mínimo ter um blog…

Não precisa publicar (“as palavras que escreve”) quando saem, pois neste momento realmente é uma exposição.

Mas, depois de um tempo, quando os sentimentos já estão compreendidos e/ou “domados”, eles não expõe mais, e podem ajudar outras pessoas que não tem a facilidade de escrita que tens… É como quando componho uma música triste… geralmente ela fica guardada um bom tempo até que eu me sinta bem para divulgá-la. Então percebo sua força, sua missão e função…

É como quando vemos o que escrevemos na adolescência… tão intensos na hora, tão tolos hoje…

Uma vez me disseram que era egoísmo de minha parte “esconder” o que componho. Pode ser medo da reprovação, também, mas acho que é verdade: é egoísmo. Quantas e quantas pessoas gostariam de poder compor, ou escrever, ou desenhar, e muitos dos que têm estas capacidades se enclausuram no próprio perfecionismo…

… ou no medo de se expor.

Menina, o músico, o escritor, o pintor… se expõem, sim. Mas vivem!

Escreva quando precisar, vá organizando… deixe as coisas se aclararem. Nem se preocupe com o tempo, não tens necessidade! Não estou dizendo pra escrever um livro e sair catando editoras, apenas… escreva…

… e leia o que escreve!

Mesmo que só você… mesmo que apenas poucas pessoas em quem confie…

… ponha-se pra fora!

Você escreve com uma clareza e força impressionantes, mas ainda se contém, ainda tens medo da exposição - mas isto não te faz mais vulnerável, pelo contrário!

Mais forte é a parede que sabemos como é feita e mesmo assim não conseguimos derrubá-la! Aproveita este turbilhão de sentimentos e escreve, escreve, escreve… depois você olha tudo e vais compreender o nó que os amarra…

… e SE compreender melhor, entender tuas virtudes, defeitos, limitações, angústias, identificar tolices, constatar fortalezas, identificar fraquezas…

… mas, minha querida flor, ESCREVA!!

Olha para tua barriga e ESCREVA!

Olhe-se no espelho e ESCREVA!

Olhe para a roupa que estás lavando e ESCREVA!

Pare, a qualquer momento, e ESCREVA!

Deixe sair, tropego, atropelado, pois no exercício de libertar-se é que você vai compreender a própria razão de porque estás fazendo… não dê bola para críticas… não vais vender, não é esse teu interesse!”

Só entenderás a razão do teu dom quando sentires o efeito que causa nas pessoas.

QUE SAIA!

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart - 24jul2008 00:10h

Ás vezes é tanto pra sair
Que não sai
Os poros, a boca, todas as aberturas
E nem que à faca abríssemos um buraco
De todo nosso tamanho
Ainda seria pequeno
Pra sair

Talvez por isso,
É, talvez seja por isso,
Que trancamos
Como medo de, ao sair,
Explodirmos
Nos expormos
Nos fragilizarmos

Às vezes deixamos sair um pouco
Mas seria este pouco o mais importante?
O essencial?
O suficiente?
O resto, o que fazer com ele?
Deixar dentro de nós?
Apodrecendo, deteriorando,
E nos intoxicando de dentro pra fora?
Deixar que nos corroa até à morte
Mesmo uma morte apenas interior
E vagar feito zumbis
Entre outros tantos

Não!
Não!
Não!
Mil vezes não!
Que saia, que exploda!
Mas, que ao explodir,
Que me espalhe pelo mundo!
Espalhando minha voz,
Meu canto,
Minha palavra,
Meus olhares,
Meu amor…

E que eu viva assim
Aberto,
Desnudo,
Mas viva!

Não!
Não!
Não!
Mil vezes não!
Não quero morrer com tanto
Tanto pra dar
Tanto pra dizer
Tanto pra ser
Não morrer
E continuar perambulando

Quero ser, estar, viver,
Aqui, agora
E para sempre
Quero continuar
Para todo sempre
Sendo parte de tudo
E de mim mesmo
E que tudo que tenho
O tanto que tenho
Não seja apenas meu
Mas de tudo
E de todos

Sim!
Sim!
Sim!
Sim, quero ser, estar
Viver
Aqui, agora
Tanto quanto
Me for possível

Portanto…
QUE SAIA!

Palmas, Salão do Livro e o Teatro Mágico

Terça-feira, 13 de Maio de 2008 -- em Poesias e Textos
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Voltando de Palmas, Tocantins, onde fui assistir ao show do Teatro Mágico acompanhado de Mag(nólia) e da Alana (que entrou de gaiato mas garantiu nossa hospedagem “digrátis”), tinha a intenção de falar do show e o quanto seria maravilhoso. Mas não dá pra falar disso apenas - apesar do show ter sido realmente muito legal. A experiência foi maior do que isso…

Bom, começo pela cidade. Conheci Palmas de passagem em janeiro, fiquei duas horas de madrugada na rodoviária aguardando o ônibus para Barreiras (vindo de Balsas no Maranhão). O que senti daquele pequeno translado de ônibus é que a cidade era um lugar onde tudo era longe, ainda com um monte de coisas a construir.

Palácio de Governo

Isto não é equivocado. Realmente, uma cidade planejada, tudo longe… mas em grande parte plana, com coisas bonitas, e num passeio com nosso anfitrião Mauro (que gentilmente deu uma de cicerone e mostrou até o outro lado da represa) pude ver que é uma cidade cheia de atrativos, arborizada, com um trânsito fluente (que vai permanecer um bom tempo por conta das avenidas largas e bem planejadas)… uma capital super agradável. Agora… Quando eu e Mag fomos achar o local do Salão do Livro, onde seria o show do Teatro Mágico… aí nosso queixo caiu. Que local lindo a praça dos Girassóis e todos os edifícios do governo tocantinense, jardins cuidados… o palácio em frente ao Salão do Livro é maravilhoso.

Salão do Livro Tocantins

Ah… o Salão do Livro. Mag ficou feliz de que fosse um evento desses, ela adora, eu também. Mas… talvez para os habitantes da cidade já haja o costume, mas para quem vem de fora… a estrutura impressiona e MUITO. Montada exclusivamente para o evento, um imenso pavilhão em forma de toldo, climatizado, com piso de borracha, praça de alimentação, estandes e mais estandes, vários shows e palestras gratuitos, tudo NO HORÁRIO, nenhum tumulto… várias coisas legais acontecendo, espaço para crianças, espaço para adultos, discussões…

Homem Sovaco

Depois de assistirmos ao show do Teatro Mágico circulamos pela feira e tentamos entrar no espetáculo do Casseta e Planeta em vão - uma fila imensa não nos deu chance. Continuamos então passeando entre livros, nos deleitando e resistindo à tentação de acabarmos com nossas inexistentes economias em tantas tentações literárias. Mas também passavam piratas, moças com vestidos diferentes, para apresentações infantis. Eis que passa um rapaz numa malha vermelha com um capacete prata lembrando o Ultramen. Com um “S” no peito. O parei e perguntei quem era. “Homem Sovaco”, me respondeu. Retruquei: uai, disfarçado de desodorante (o capacete só me fazia pensar nisso…) “Homem Sovaco”, me retrucou. Mais adiante tirei uma foto dele, que gentilmente fez pose de super-herói.

Ainda tive oportunidade de parar num estande de “tudo por três reais” e ao ouvir o comentário de um rapaz sobre uma revista TEX tive a agradável oportunidade de bater um papo sobre Tex, Kit Carson e o resto da “gangue”, além de relembrar o inigualável Groo (site oficial e na wikipedia em português). O rapaz “herdou” revistas do pai e do avô e falava entusiasmado… nossa, boas lembranças.

Cansados, sem possibilidade de assistir o Casseta e Planeta, entramos no “café cultural”, um ambiente bem no meio do salão, isolado acusticamente, todo em madeira, com uma platéia e um palco. Entramos na expectativa de descansar ouvindo uma música, mas estava passando um filme… estranho… até que percebemos que eram diversos trechos de filmes onde se contavam histórias. Olhas na programação: “Café Literário Grego”. Hum… Era o início de uma mini-palestra (ou o final…) de um rapaz de São Paulo que faz um trabalho de contação de histórias em hospitais. O que parecia um chato evento cabeça mostrou-se um momento muito agradável com um contador de histórias (Ilan Brenman)… ele falou de uma experiência muito legal num hospital de São Paulo onde ele e voluntários contam histórias para recém-nascidos e os resultados positivos disto… e então foi contar a história da Odisséia, coisa que eu adorava na juventade apesar de um tanto esquecida. O jeito gostoso e “moderno” de contar fez-me ter vontade de ler novamente.

Café cultura 01

Café cultura 02

Muito legal. E tudo terminou com um pocket show de uma cantora chamada Juliana Maia… fiz questão de ver de perto o percussionista que tocava um cajón (eita, precisa arranjar grana para comprar um…), ele tinha uma mal-formação numa das mãos, o que não o impedia de segurar com competência a percussão do pequeno grupo. Que também tinha um violinista excelente, além da agradáve voz da protagonista. Outra boa surpresa.

Comendo Churros

No final, ainda pude curtir um churros (não é como os de minha terrinha Santa Maria, RS, mas deu pra matar a saudade). Ainda dá para curtir se você estiver lá ou na região. Veja a programação no Site do IV Salão do Livro de Tocantis (de 09 a 18 de maio).

Ok, agora vamos ao Teatro Mágico.

Eu e Mag filmamos, tiramos fotos, dançamos… nos deleitamos com os acrobatas… com o percussionista traduzindo trechos do show em Libras… com o entusiasmo de pessoas que nem sabiam o que iriam assistir… com o os músicos andando no meio do público… em ver tanta gente jovem curtindo algo tão bom… um fã clube pequeno e vibrante juntou-se a várias outras pessoas.

Uma coisa engraçada é que em alguns materiais de publicidade o espetáculo constava na programação infantil (nada demais… afinal as crianças que foram adoraram).

Mas o mais agradável foi depois do show.

Apesar de eu não ter perfil de “tiete” (e nem perto daqueles adolescentes naturalmente enlouquecidos com o pessoal da trupe) queria tirar algumas fotos (mas não comigo, não tenho esta preocupação) e, quem sabe, conversar com os membros da trupe. Bom… eles saíram um a um, aos poucos (atitude sábia). Assim, quando o povo terminava de sugar um, chegava o outro, até que, claro, por último, chegaria o Fernando. Fui tirando fotos deles com os outros, sem atrapalhar a tietagem, até que consegui conversar com o tecladista. Extremamente simpático - aliás, TODOS. Ele comentou que o Fernando ficava sempre até esvaziar, então quem tivesse paciência poderia ter mais tempo. Enquanto esperava, acabamos eu e Mag puxando papo com um senhor de cabelos grisalhos, camisa azul, com um jeito meio estupefato… seu Antônio, de Santos, que estava a trabalho na cidade e entrou por acaso no Salão do Livro e ainda mais por acaso no show do Teatro Mágico. Ele comentou:

Teatro Mágico - Seu Antônio, Gabi e Rafael

“Quando vi aquele povo pintado pensei: poxa, entrei aqui para ver palhaçada… mas quando os vi recitando Fernando Pessoa pensei: palhaço não fala em Fernando Pessoa! E fiquei, e me encantei, eles são fantásticos, acabei comprando um CD, peguei autógrafo, nunca me vi fazendo isso!”

Isto é o que causa o Teatro Mágico.

Com o esvaziamento do pessoal, tivemos contato com Gabi, a acrobata. Absurdamente simpática, nos deu atenção, conversou com seu Antônio, que ficou visivelmente encantado, tirou foto conosco (Mag me convenceu a tirar aquelas fotos clássicas de tiete), e depois ela foi dar atenção a uma criança que estava com o rosto pintado (descobri depois que estavam pintando o rosto das crianças no Salão do Livro, muito lindas). Então pudemos falar com o Fernando, uma tranqüilidade, contei a ele que estive na rádio FM em minha cidade dois dias antes e cantei ao vivo uma música do Teatro Mágico, me perguntou qual é, disse que tinha um site com minhas composições e ele disse: “Precisamos trocar esta figurinha…”

Teatro Mágico - Seu Antônio, Gabi e Rafael

Tiramos fotos “tiete-style” novamente, e então a sensação de que tudo valeu a pena veio: eles são o que são no palco, e fora dele. Todos. Apesar da atenção centrada naturalmente em Fernando, “cacique” da tribo, percebe-se nos arranjos (diferentes do que ouvi em todas as fontes que tive acesso) que são uma irmandade aberta, perguntam o que cada um achou, o que prendeu ou chamou a atenção, ou o que mais se gostou… Nota-se nos olhos de TODOS a satisfação em atender, conversar, trocar idéias.

Sei que são pessoas comuns, com defeitos, que vão ao banheiro, mas deixam a gostosa sensação de que ainda vale a pena lutar por boas causas…

Acho que os fãs terminaram o espetáculo da forma mais adequada: um coro de “obrigado, obrigado”.

Obrigado, Trupe do Teatro Mágico.

Não Sei

Domingo, 20 de Abril de 2008 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart - 19abr2008 00:30h

Descobri, estupefato
Que já não sei

Não sei se leio a bula
Pois se leio
Não sei se tomo o remédio

Não sei se tomo banho
Pois se tomo
Não sei se lavo a alma

Não sei se lavo a louça
Pois se lavo
Não sei deixar de sujá-la

Não sei se ouço música clássica
Ou se ligo o rádio

Não sei se leio uma enciclopédia
Ou um almanaque

Não sei bem o que penso
Logo, não sei bem como existo

Não sei de tudo
Mas também não sei de nada

Não sei dos outros
Mas também não sei de mim

Não sei da vida
Mas também não sei da morte

Descobri, e ainda mais estupefato
Que nunca soube de nada enfim

E, a bem da verdade
Não saber não me desmerece

Já nem querer saber
Que nada se sabe
Isto sim é crime
Hediondo e inafiançável

Pois o verdadeiro aprendiz
Só nasce e cresce
De sua própria ignorância

Descobri então
Ainda mais feliz que estupefato
Minha ignorância

Tempo de Espera

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008 -- em Poesias e Textos
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A vida moderna nos fez desaprender a esperar. O ritmo louco, os prazos curtos, a moda ou a imposição de aproveitar a vida ao máximo, o “curtir cada instante” nos acelerou tanto… que esperar tornou-se sinônimo de perda de tempo, de passividade. Intervalos entre atividades são preenchidos com outras atividades. Ter uma manhã livre, um tédio, principalmente se estivermos “presos” ou ilhados.

Hoje me senti assim. Vim para Luís Eduardo Magalhães considerando um ritmo em que não teria tempo livre, e na manhã de sábado iniciaria um curso. Mas adiamos seu início para a próxima semana. E agora? Para evitar carregar peso, não trouxe nenhum livro ou material para estudar. No início, bateu-me o “pavor”; depois acabei aceitando a situação. Assisti TV até ter sono, despertei às 8h para não perder o café do hotel. Depois, agüentei o terrível narrador da F1 (nem vou colocar o nome para não fazer propaganda dele) e zapeei para a TVE Bahia, onde assisit dois programas que já havia visto “por cima” e então pude assistí-los integralmente, pois não tinha nada mais o que fazer…

Mesmo assim, ainda havia um outro “problema”: o que fazer depois do almoço? 1h, 1:30h de espera, sentado num restaurante. Almocei com calma (raro nestes dias…), peguei um papel e pus-me a exercitar minha (in)capacidade de desenho (adoraria desenhar, mas não é minha praia). E então restou-me escrever. Componho escrevendo no papel, mas textos… a idéia de ter que passar a limpo me cansa… mas, com tempo “sobrando”…

Acho que desta experiência, que é diferente de estar sozinho apenas mas no seu meio, entre seus livros, músicas, computadores, tirei a seguinte lição: esperar é estar na obrigação de fazer companhia para si mesmo.

E correndo o risco de descobrir que não somos assim tão boa companhia.

Entre madrugadas e manhãs

Quarta-feira, 19 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart - 19mar2008 - 17:19h

Amigo, me ajude
Pois sou cheio de dúvidas
E disso tenho certeza
Perseguido por escolhas
E não me resta outra opção
A não ser a cada momento
Enveredar-me por um caminho
Deixando outro… pelo caminho

Amigo, veja só
Se me é merecido
Ser obrigado a optar
Pelas madrugadas
Ou pelas manhãs
Ou se curte as madrugadas
Ou acorda-se cedo
E curte-se as manhãs

Quem cedo madruga
Não deleita-se na madrugada
Quem enrrosca-se noite adentro
Não desperta para ver o sol nascer

(Descarto aqui os boêmios
- afinal, meros mortais labutam…)

Aproveitar a inspiração da madrugada
Ou o canto matinal dos pássaros?
A calmaria que acalenta romances
Ou a energia renovada do amanhecer?

Não, sei meu amigo
A cada dia alterno escolhas
A cada fase, a cada momento
De uma ou de outra me alimento
Ora da luz, ora da escuridão
Ora do início, ora do fim
Ora do nascer, ora do morrer
Nos dois um pouco de mim reside

Mas, amigo
A única síntese encontro
Na mais doce companhia
Naquela que me tira o sono
E me desperta em alegria

Sete linhas sobre saudade

Terça-feira, 18 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart - 18mar2008 23:12h

Minha saudade por ti é espontânea
Nasce da brisa, do silêncio
Do nada ao meu redor
Vem do momento que começa
No princípio da tua ausência
E termina apenas e apenas
Quando entras pela porta