Arquivo da Categoria ‘Poesias e Textos’

A flor em meu bolso

Segunda-feira, 17 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 17MAR2008 04:20h

Olhei o jardim
- tantas flores!
Cada qual única
Mesmo que semelhantes
Mesmo que quase idênticas

Todas flores, todas delicadas
Todas belas, todas frágeis
Todas encantadoras, mesmo ocultas
As flores, todas elas
Em seus aromas e cores
São belas por serem flores

Algumas não são percebidas
Outras, as preferidas
Mas qualquer delas
Regada, adubada, admirada
Florece, fortalece, enobrece
Junto com seu jardineiro
E para si
E para ele

Mas, para meu desalento
Meu paletó só tem um bolso
E nele, apenas uma posso levar
Escolher qual, um dilema!
Sempre carrego a duvida:
Será que deixei no jardim
Aquela que foi feita para mim?

Olhos no Espelho

Segunda-feira, 17 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 17MAR2008 04:00h

Ousei pedir um conselho
A ninguém mais, ninguém menos
Que a este cara do espelho

Depois de tanta estripulia
Não me restou alternativa
A não ser mirar em seus olhos

Omitir, mentir, enganar-se, enganar
Até fácil diante de outros olhos
Diante destes, inquisidores
Boa alma se atormenta

Mas assusta pensar que existem almas
Cujos olhos nos espelho não afetam
Destas, imunes até a si mesmas
Mantenho prudente distância

A história do “Feio”

Domingo, 16 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Warning: array_intersect() [function.array-intersect]: Argument #1 is not an array in /var/www/virtual/rgou.net/htdocs/sitio/wp-content/themes/rgou/archive.php on line 114

Nunca gostei de ver animais presos. Acho que é uma extrapolação de minha índole livre de sagitariana alma: quero que todos sejam livres como desejo ser. Mas adoro animais, gosto da honestidade de seus sentimentos e instintos. Nunca se pode esperar que um cachorro seja diferente de um cachorro, um gato diferente de um gato, por isso eles são quase matemáticos: trate-os bem e eles nos dão retorno. Se eles revidam, algo os fizemos…

 

… quem dera fosse assim com nossa “raça animal humana”…

Mas a história não é sobre um animal qualquer, mas a história do “Feio”. Gatos e cachorros ficam conosco por vontade em contrapartida aos nossos cuidados (interesseiros… mas nos dão retorno!). Mas pássaros têm índole da liberdade, sua vida não cabe numa gaiola. Nossa vida não caberia. Não consigo enxergá-los presos, é como se visse a mim mesmo dentro daquelas grades. Um canto triste… Nunca me vi criando pássaros em cativeiro, mas adoro vê-los, é um privilégio ainda morar num lugar em que – por duas árvores existentes na frente de meu apartamento – ainda posso acordar com o cantar destas criaturas adoráveis.

Nossa… ainda continuo divagando e não falo do “Feio”… pois bem, alguns anos atrás uma amiga nos trouxe da roça dois pequenos (mesmo!) periquitos que haviam caído do ninho. Meu ex-sogro queria um e nós “herdamos” o outro, apesar de que eu fiquei meio num dilema… de qualquer forma, os bichinhos iriam morrer sem cuidados. O que de fato aconteceu, um deles não resistiu, e ficamos cuidando do outro, à base de polentina umedecida que de início dávamos de seringa, como se fóssemos sua mãe. Ele veio numa gaiolinha artesanal, que deixamos como seu ninho, mas de porta sempre aberta, só no início, à noite, deixávamos fechada com medo que saísse e se machucasse.

O problema era achar um nome para aquela criaturinha. Nada charmosa, diga-se de passagem: pelado, esquisito, desengonçado… quando começaram-lhe a nascer as penas, então, ficou um bicho muito feio… e começamos a chamá-lo de feio, feio… até que este virou seu nome: “Feio”. Em pouco tempo este nome mostrou-se inadequado, mesmo que para nós estivesse recheado do mais puro carinho. Conforme as penas verdes tomavam-lhe conta aquele pequeno bichinho mostrava-se cada vez mais belo.

Já não precisávamos mais alimentá-lo com a seringa, numa pequena tampinha colocávamos sua refeição… e ele comia tranqüilamente. Como no seu canto na pequena bancada da cozinha ele mostrava-se desconfortado enquanto almoçávamos, eu o colocava na mesa, com seu pratinho, como “parte da família”. Sim, às vezes um pouco arteiro bicava a comida do meu prato, mas depois de alguns “puxões de orelha” voltava para seu pratinho.

Conforme foi criando habilidade com as asas também passou a escalar as coisas e em principal nós mesmos. Ficava em meu ombro mas – não contente – subia em minha cabeça, o que achava o máximo, mesmo quando eu estava almoçando. Uma coisa deliciosa que ele fazia era quando eu deitava na rede, um pouco todo dia, e ele subia até meu peito e ficava brincando em meu cavanhaque. Se perdia, como se fosse encontrar algo para comer ali. E eu curtia aquele singular “cafuné”.

Não demorou muito para que estivesse forte para pequenos vôos, o que aumentou sua ousadia: quando eu chegava em casa, não importava onde estivesse, atravessava a casa para pousar em meu ombro. Um carinho extraordinário. Fora uma vez em que, cansados de suas estripulias na mesa, o colocamos para almoçar no seu canto. Não adiantou: ele voou para a mesa e caiu na travessa de feijão! Uma bagunça!

Mas… alguns amigos nos falaram: se não cortar a ponta das asas, ele vai embora… Não teríamos coragem. Se fosse para ficar conosco, que fosse em liberdade. Se seu instinto falasse mais forte e ele fosse embora, que assim fosse, pois este era seu desejo.

E assim foi. Na frente de nossa casa haviam algumas árvores, e alguns periquitos apareciam por lá. Um dia o “Feio” saiu andando pela lateral da casa e não voltou mais. Foi um misto de tristeza e alegria… tristeza pela sua ausência… felicidade pela sua existência, por ter compartilhado o momento mais bonito de sua vida conosco, e por nos permitir ser uma mão que o ajudou a seguir seu destino glorioso – ser livre.

Até hoje, passados 5 ou 6 anos, não lembro bem, ainda lembro do “Feio”. Acho que em menos de dois meses conosco (não foi mais do que isso) ele nos ensinou todo ciclo da paternidade/maternidade: Da indefesa forma de vida que em tudo depende de nós a um ser maravilhoso que alça vôo e nos “deixa pra trás”, repletos de saudades e boas lembranças.

Obrigado por toda beleza de suas lições, meu querido “Feio”.

Toda criança merece um pai

Quarta-feira, 12 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 12mar2008 02:21h

Toda criança merece um pai
Um pai pra lhe ver nascer
Pra cuidar de sua mãe
Pra lhe ver crescer

Um pai pra lhe ninar no colo
Pra adormecer junto na rede
Pra lhe contar histórias

Toda criança merece um pai… criança
Que brinca, que paga mico
Que lhe ensina a andar de bicicleta
Que corre junto da chuva… e na chuva

Um pai pra andar de mãos dadas
Pra levar na escola
Pra dar um presente no dia dos pais

Toda criança merece um pai… sábio
Que lhe oriente o caminho
Que lhe imponha limites
Que lhe ensine o valor do trabalho… e do amor

Um pai pra chamar de “papai”
Ou simplesmente de “pai”
E quem sabe um dia de “meu velho”…

Não apenas uma “figura paterna”…
… mas um pai…
… alguém pra chamar de “pai”

A Saudade é Assim

Quarta-feira, 12 de Março de 2008 -- em Poesias e Textos
» 1 Comentário    »Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 12mar2008 02:06h

A saudade é assim
Tem nome de menina
Que a gente acompanha da janela
Até dobrar a esquina
E se pergunta, enquanto dói
Quando será que volta…

A saudade é assim
Um forma dolorida
De descobrir quem se ama
Descobrir num copo
Num cheiro
Num brinquedo
Num travesseiro vazio
A importância tamanha
Que antes não se mostrava…

A saudade é assim
Um jeito estranho
De descobrir o preço
Do beijo
Do abraço
Do olhar
Do sorriso
Do gargalhada
Do bater de coração
Do sono tranqüilo
De quem se ama…

A saudade é assim
A traiçoeira constatação
De que amamos de verdade

O anjo e a rosa

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 01JAN2008 +/- 10:00h

Um, guaraná, gelo, laranja
Outro, caipirinha sem açúcar
Um, praia falsa na varanda
Outro, sombra fresca

Um, zero a cem em três segundos
Outro, velocidade de cruzeiro
Um, é mergulho até o fundo
Outro, meio inteiro

Um quer o abraço
Que o outro tem
Outro quer o beijo
Que só um tem
Uma noite até o dia raiar

Despertar de um sonho
Que mais que a lembrança
Deixa a doce esperança
De encontrar
Um sonho bom outra vez

Versículos pouco sérios 2

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 04JAN2008 11:30h

Fiz das tripas, coração
Resultado: deu merda na relação.

Versículos pouco sérios 1

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 04JAN2008 11:30h

Caí, levantei
Caí, levantei
Caí, levantei
Até que tomei a decisão
Que mudou minha vida
Troquei de provedor

Versículos 1

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 04JUN2008 11:20h

Nossa! Como sinto sua falta
Te procuro nos intervalos
De meus surtos de saudade

Sinceridade é uma faca afiada

Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008 -- em Poesias e Textos
» Sem Comentários    » Deixe um comentário!!

Rafael Goulart - 02JAN2008 14:02h

Sinceridade é uma faca afiada
A seu lugar, em seu posto
Ferramenta sem igual
Apara arestas, elimina excessos
Divide em partes menores
Coisas para fazer um todo maior
E mais completo

Sinceridade é uma faca afiada
Em mãos hábeis, instrumento preciso
Em mãos débeis, risco constante
Em mãos ardilosas, arma perigosa

Mas a mentira é uma faca cega e suja
Que sempre fere
Que sempre rasga
Que deixa cicatrizes
Que deixa seqüelas
Muitas por toda a vida

Então, companheiro
Afia tua faca
Mas aprende a manejá-la