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Primeiro Passo

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart, 31DEZ2007 - 12:29h

Resolvi libertar-me das formas
Desprender-me das amarras
Alforriar-me da escravidão
Que me auto-inflingi

Toda forma de dizer
De cantar
De transmitir
Me é válida agora

Se me faltar papel, te falarei
Se me faltar voz, te tocarei com uma canção
Se me faltar instrumento, te farei gestos
Se me faltar movimentos, te olharei
Se me cegarem os olhos, ainda assim te farei sentir

Pois mais nada, nem ninguém
Nem mas, nem porém
Nem a falta de rima
Nem a morte
Nem mesmo eu mesmo
Nada disso vai me calar

O primeiro passo é libertar o poeta
Nos outros passos o poeta me guiará

Inevitáveis Reflexões de Ano Novo

Domingo, 30 de Dezembro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Não costumo fazer planos. Para todo ano, mês, e gostaria também cada dia, tenho metas, nortes, destinos… mas não planos. Coloco-me metas pois quem não sabe onde quer chegar nunca sabe se teve êxito (ou: pra quem não tem rumo qualquer caminho serve…). As metas podem mudar no decorrer do caminho, conforme o desenrrolar dos acontecimentos nos leva a alternativas diferentes… mas planos são coisas que nos levam a frustrações, pois quando nos vemos distantes deles… ou bate a desesperança, ou a frustração, ou começam as ladainhas… então, não faço planos. Me organizo, crio rotinas para atingir metas… mas planos, não.

Talvez quem leia possa perguntar: mas planejar é não importante para alcançar metas? Ah, claro! Mas aqui cabe uma diferença: destrinchar uma meta em passos, adequá-los conforme o andar da carruagem… não é do que falo aqui. Planos… são os “sonhos viajantes” que nos iludem.

Novamente o leitor pode questionar… e sonhar, não é preciso? Ah, claro! Sonhar é a mola mestra de nossa vida. Mas os “sonhos viajantes” a que me refiro, os planos inúteis… é que nos fazem criar expectativas inúteis. É imaginar estados de espírito com situações e descobrir que na hora “h” a coisa não é bem assim… (Um seriado tolinho chamado “As visões de Raven” fala muito disso… a menina tem visões e cria expectativas em cima delas - boas ou ruins -, mas ela só teve um flash, o que realmente acontece e principalmente o que sente não tem nada a ver com a imagem que ela criou…)

No ano de 2004 minha meta a atingir no final do ano foi: estar vivo e cursando a faculdade. Pouco? Estar vivo foi uma grande vitória… cursando a faculdade… em alguns dias contei o dinheiro do ônibus, lembro nos dedos os dias em que lanchei na cantina da faculdade… pagar a faculdade somente com a bolsa de mérito que consegui… no pior ano de minha vida, ainda ter que me concentrar para tirar boas notas…

… chegar ao final daquele ano foi sim, um cumprimento de meta importante.

2005 foi o ano em que eu precisava de uma luz no fim do tunel para sair do buraco. Ela veio, exigiu-me pôr meu rabinho entre as pernas, engolir o orgulho e iniciar meu processo de reconstrução. O final de ano me veio com um gosto de estar retomando as rédeas de minha vida, mesmo que numa história cheia de vírgulas e reticências.

2006… não lembro de pensar algo conscientemente para 2006. A única meta era algo que se encaminhava calmamente para seu desfecho: terminar a faculdade. Mas este ano foi um ano especial porque… foi o ano em que voltei a viver novamente. Ou em que descobri que nunca tinha vivido tão intensamente. Um ano que não tinha nada em mente… mostrou-se um dos mais importantes de minha vida - positivamente.

Enfim, 2007… Na “balada” do ano anterior, minha meta era… estar no final do ano em minha casa. Financiada, como bom brasileiro, mas… algo que eu pudesse chamar de meu. Havia uma sensação em mim dizendo que este seria um ano especialíssimo, cheio de coisas boas. Mas… ainda bem que não fiz planos. Logo nos primeiros meses vi que a meta estipulada não era o que o ano pretendia para mim. A pus em stand by. E fiquei esperando: que diachos vem por aí? Por que este ar de mudanças sem nenhuma definição?

O meio do ano começou a mostrar qual eram os “planos” do ano comigo, mesmo que repleto de pontos de interrogação intercalados por pontos de exclamação (eu, estupefato com os acontecimentos). Um ano repleto de portas abertas, escolhas que se mostravam ambígüas… então resolvi sentar e esperar as coisas se aclararem. No finalzinho (mesmo) do ano, outro acontecimento para fechar tudo com uma força extraordinária, a mostrar… é de novo contigo, carinha, mas… agora, até as metas do próximo ano ficaram obscuras.

Sempre que me perguntam o que mais importa para mim, respondo: meus quatro pilares, filhos, amigos, música… e ela (a mulher). Neste quarteto a principal falta sempre o último… certamente o mais difícil de “acertar a mão”. Mas… sempre o “mas”… Este final de ano desequilibrou meus pilares. Filhos… distantes. Amigos… sempre tantos, fiéis, amorosos, esta talvez a maior de minhas dádivas, a capacidade de atrair pessoas maravilhosas ao meu redor. Porém… aqueles que se mostraram ímpares nestes 4 anos duros… também tomando um rumo diferente. De repente, só “restou” a música… e me vi alguns dias mudo, surdo… nada ouvi, nada cantei, nada toquei. Um silêncio. Quase que simultaneamente, “ela”, o quarto pilar, me apareceu numa única e impressionante noite. Mas também, só.

Se tivesse feito planos, me imaginado brincando com meus filhos dentro de minha casa, curtindo minha namorada, amigos e fazendo um barulho com violão, guitarra, baixo e bateria… agora estaria completamente arrasado. Mas não… curti cada instante que estive com cada uma das pessoas que amo e fiz muitas coisas maravilhosas que há anos “sonhava” fazer em música, apesar das incertezas… não, este ano não foi perdido.

Talvez o leitor esteja crendo que este é um texto melancólico… engana-se. Não estou lastimando a “perda” de meus filhos, a “perda” de um grande amigo, a falta de inspiração musical, a “mulher de minha vida” que não aparece ou a incerteza profissional… não. Neste ano - e só depois que passei por isto compreendi sua importância - tive a oportunidade de passar por todas as principais cidades em que morei antes daqui de Barreiras - Santa Maria, Feira de Santana e Salvador - e em todas ouvi de meus amigos: volta pra cá. Inúmeras coincidências… Este foi um ano de reflexão, em que a vida parece que me tratou como um pai que cuida e educa o filho até certa idade e um dia larga sua mão e lhe diz: “pronto, agora que te acompanhei em todas as lições que precisavas é chegado o momento de ir em busca de teus sonhos… estarei aqui, sempre torcendo por ti, sempre ao teu lado, e sempre com a porta aberta para te receber num fracasso eventual, para um conselho a mais ou apenas para matarmos a saudade”. Aos 20 anos eu peguei minha mochila e caí numa cidadezinha perto do fim do mundo para começar minha história como “adulto”. Aos 31, me vi praticamente na mesma situação, mas sentindo que tudo o que havia “construído” havia sido me tirada abruptamente, que não teria mais rumo nem forças… e hoje, aos 35… a metáfora da mochila é a mesma. Mas… o mundo está aberto, e eu, com a mochila repleta de histórias e experiências. É…

… não tenho a mínima idéia do que o ano me reserva… mas ele que me aguarde…

PS: Dedicado aos meus amigos e a pessoas que mesmo por um pequeno instante me ajudaram a ser quem sou. A todas, lembro que o ano que vem é tão especial que lhe deram um dia a mais para aproveitarmos.

Rotina, a vilã incompreendida

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Sou uma pessoa tida como caseira. De fato me considero uma pessoa caseira. Caseira no sentido de gostar de estar em casa, atividades que se pode fazer em casa, gosto de meu canto, ou então de estar na casa de amigos, seja numa conversa despretenciosa, seja assistindo a um filme, seja degustando qualquer iguaria culinária. Gosto e curto coisas ditas comuns. Coisas… rotineiras.

Ontem ouvi um programa de rádio discutindo sobre “Como acabar com a monotonia num relacionamento”. E, algo bastante comum, “acabar com a monotonia” confundiu-se com “acabar com a rotina”, ou “como evitar que um relacionamento caia na rotina”. Conforme a discussão ia evoluindo, cada vez mais me incomodava esta confusão que se abate sobre a maioria das pessoas: rotina não tem nada a ver com monotonia.

Antigamente as pessoas eram educadas e criadas para ter um emprego a vida toda, um casamento a vida toda, viver na mesma casa a vida toda. Todos cresciam com esta idéia na cabeça, então a idéia de rotina era aceita com muito mais facilidade. Os “tempos modernos”, que aumentaram a velocidade de tudo e de todos, nos trouxeram a busca pela novidade, nos completamos pelo diferente, pela moda mais recente, pelo celular com mais recursos, etc. Então a rotina começou a cair na desgraça, ou melhor, a ser confundida com a monotonia.

Ficar em casa todo final de semana? Rotina/monotonia. Bater ponto no trabalho? Rotina/monotonia. Levar o cachorro pra passear e fazer cocô? Rotina/monotonia. Chegar meia-dia em casa e encontrar o almoço pronto? Rotina/monotonia. Chegar em casa de noite e jantar com a família? Rotina/monotonia.

Ok, já é o suficiente para mim. Esta tal rotina está sendo muito massacrada. Vamos observá-la de modo diferente.

Voltemos aos tempos de criança. Todo dia vamos a escola, gostando ou não, mas ao meio-dia, varados de fome, vamos nos aproximando da porta de casa e aquele aroma maravilhosa da comida de nossa mãe quase nos leva nas nuvens. TODOS OS DIAS. Ah, só de pensar me dá saudade.

Bom, chegou dezembro, férias, amém!! Nada de professores passando provas, dever de casa, trabalhos para apresentar… mas depois de um mês de férias bate uma saudade dos amigos, de se encontrar no recreio e atualizar as fofocas TODOS OS DIAS com os colegas.

Paqueramos, paqueramos e um dia começamos a namorar! Ah, quantas coisas novas, as descobertas, os beijos apaixonados… que bom ter uma pessoa para andar sempre de mãos dadas, de se encontrar no portão de casa e ficar namorando até o pai gritar “já está na hora!”, TODOS OS DIAS se for possível…

Ah, que mundo maravilhoso o da leitura… descobrir novos mundos, confrontrarmos com idéias diferentes das nossas, conhecermos a vida de pessoas interessantes, ou simplesmente nos acalentarmos espiritualmente nas palavras sábias dos livros de nossa religião, nem que seja apenas meia-horinha TODOS OS DIAS.

Eis que namoramos, noivamos e casamos. O sonho de tantos, em especial de tantas mulheres (cada vez menos)… Ter seu/sua amado(a) TODOS OS DIAS ao seu lado, poder dizer o quanto ele/ela te faz bem, cuidar de suas coisas, ou de seu café da manhã, ou ajudá-lo nos trabalhos de faculdade, ou a arrumar suas malas TODA VEZ em que viaja, ou acordá-lo(a) com um beijo TODAS AS MANHÃS.

Filhos… que trabalheira! TODO DIA um briga para tirá-los da cama e mandá-los para escola, aquela enrrolação no almoço, cobrá-los de fazer o dever de casa… TODO FINAL DE SEMANA levá-los no clube, praia, rio… e quando são adolescentes aquela encheção de saco pedindo dinheiro pra sair com os amigos TODO SÁBADO À NOITE. Pensamos que quando eles sairem de casa será nosso alívio, nosso descanso…. que nada, o que fica é saudade de tê-los conosco TODOS OS DIAS…

(…)

Todos os parágrafos acima são descrições de rotinas que de um modo ou de outro todos passamos na vida. E inúmeras outras existem - basta que nos demos conta. Nenhuma delas é ruim, pelo contrário, mas por algum motivo o índole humana parece que chega num determinado ponto em que só enchergamos a repetição, pura e simples. Nos esquecemos do significado das coisas individualmente, só vemos sua repetição – e então achamos tudo muito monótono.

A resposta para isto é uma característica deplorável do ser humano: ACOMODAÇÃO. O que é maravilhoso da primeira vez é legal na segunda, bonitinho na terceira e se torna banal daí em diante. Isto não é problema da rotina – é um problema NOSSO.

Levante todos os dias às 5:30h da manhã e vá fazer um exercício físico: caminhar, correr, andar de bicicleta, malhar, nadar, o que for. Faça isto durante 6 meses. Nunca mais você vai querer deixar, porque você SENTE O QUANTO ISTO TE FAZ BEM. É uma rotina? Completamente. Mas depois de alguns meses você nem vai perceber mais isto, tamanha a disposição que isto lhe dá.

O mesmo deveria acontecer com todas as boas rotinas da vida. Desaprendemos conforme crescemos a viver no dia em que estamos, no momento presente, como as crianças – ou indo mais além, como os cachorros. Eles nos esperam TODOS OS DIAS com o rabo abanando quando chegamos do trabalho. Engraçado, damos mais valor à rotina do cachorro do que se fosse nosso(a) esposo(a) fazendo a mesma coisa.

As crianças não tem noção de presente e futuro, vão construindo aos poucos. Por isso, vivem intensamente tudo que presenciam: mesmo que seja a mesma coisa de ontem. Mesmo que seja a 45ª vez que a jogamos para alto. O sorriso, a satisfação é a mesma. É, ela sabe viver, pena que desaprende com o tempo.

Agora, só uma forma de descobrir o quanto a rotina nos faz falta: é PERDÊ-LA. Não abandoná-la, mas perdê-la. Não poder mais manter aquelas atividades “sempre a mesma coisa” é que nos faz descobrir o valor delas.

Saia de casa… e vais sentir falta até das broncas do pai e da mãe (a comida da mãe na mesa já falei…)

Termine o ensino médio e entre na faculdade, e vais sentir falta da leveza que era o tempo de escola (e nós achávamos tão duro! mas a faculdade é pior!).

Termine a faculdade, e vais sentir falta de juntar os colegas para fazer trabalhos, de falar mal dos professores, das festas no final de semana… todo final de semana, sagrado…

Troque de emprego, e talvez sinta falta da gentileza humilde do porteiro da empresa antiga que todo dia perguntava com aquele sotaque estranho “bom dia, seu fulano, como vai a família?” - pois no emprego atual o porteiro é todo fechado e nem olha pra você.

Se morrer seu cachorro, vais sentir falta das caminhadas para ele fazer o “serviço sujo”.

Separe de seu/sua esposo(a) e vais sentir falta de acordar de madrugada e ter um corpo quente do lado, mesmo que ele nem perceba que você acordou. Vais sentir falta do beijo rápido que trocavam pela manhã e que achavas pouco. Vais sentir falta… não daquele presente de aniversário, mas do DIA-A-DIA…

A monotonia vem do vazio interior de cada um e não da rotina. Todos buscamos, de uma forma ou de outra, um porto seguro, e este porto seguro está depositado em coisas que sabemos que não mudarão (o amor de nossos pais, companheiros, dos amigos, um emprego estável…). E as coisas que não mudarão estarão SEMPRE LÁ… pois tornaram-se uma rotina da vida.

Encerrando com uma metáfora bonitinha… uma pequena flor todo dia enche um jardim no final de um ano, mas só notamos os buquês que recebemos no dia de alguma coisa dita especial.

 

O Balde e os Sapos

Terça-feira, 30 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Balde
Transbordando e pronto pra chutar

O balde está sempre ali. Cheio. Esperando você mandar tudo pra PQP e… chutá-lo. Sempre pronto pro desabafo. Pra mudança. Pra mandar aquele chefe desgraçado, aquele casamento infeliz, aquela vidinha insossa pro espaço.

O balde é o símbolo de toda nossa frustração com as coisas. A incômoda presença da criança rebelde dentro de nós que não está nem aí para as conseqüências, nos dizendo sempre pra fazermos uma molecagem pela qual sabemos que seremos recriminados. E todo medo de mudarmos nossa vida e nada dar certo… E todo medo de não mudarmos e nunca sabermos como seria nossa vida com escolhas diferentes.

E atrás do balde estão nossos pais, amigos, patrões, colegas, sociedade… todos de cara feia recriminando-nos só de olhar para o balde… imagine de chutá-lo. O grande problema é que o balde está cheio, e nunca sabemos se é o momento certo de chutá-lo, pois podemos nos molhar…

Engolir Sapos
Melhor não tentar isto em casa, crianças!

… e é aí que entram os sapos. Passamos a vida inteira nos deparando com os sapos. Eles estão intimamente ligados ao balde. Aliás, o balde só existe porque existem os sapos.

Os sapos são todos incômodos que passamos na vida. É quando nosso carro velho enguiça e nos deixa na mão, quando a companheira ou companheiro nos recebe com a mesma ladainha dia após dia, quando nosso filho espalha farinha pela cozinha, quando nosso chefe nos enche de trabalho mas não de salário.

O maior problema dos sapos não é que eles existam, mas que temos que engoli-los. E nem sempre é fácil, alguns são grandes, engasgam. Outros são pequenos, mas são tantos, durante tantos anos… que engasgam também. Outros ainda descem rasgando, mas não temos escolha. Mas nem todos dá pra engolir. E nem sempre é adequado cuspir os desgraçados, nem sempre é o momento.

Daria pra resumir a vida como a arte de engolir sapos. Alguns são fáceis de engolir, outros é preciso mastigar muuuuuuiiiitttoo para engolir, mas é preciso, e outros são os que temos que cuspir. E é aí que o balde está de volta: quando cuspimos um sapo… chutamos o balde.

Saber que sapos engolir, saber que sapos mastigar pois não é o momento nem o lugar para cuspi-los e quais jogar de volta é a arte da vida. E chutar o balde… não é algo pra se fazer toda hora – quem o faz é inconseqüente – mas é preciso.

Ao menos uma vez na vida é preciso chutar o balde.

PS: Mas se suas crianças derrubarem farinha na cozinha… jogue neles de volta e divirta-se.

Eu Gosto…

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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por Rafael Goulart (2005)
“Vou te contar o que me faz andar, se não é por mulher não saio nem do lugar…” Assim começa a a música “Eu gosto é de mulher”, do Ultraje a Rigor, sucesso na década de 80. Suas palavras eram até um pouco grosseiras, ele mesmo se defendia: “Eu sou assim meio atrasadão, conservador, reacionário e caretão”. Mas, de qualquer forma, sincero. Nos últimos dias, fiz a várias meninas (chamo assim a todas as mulheres) a mesma pergunta: “Você acha que poderia inspirar uma música?”. Engraçado ver que as garotas com que me relaciono, quase todas, encabulam-se com a pergunta. Ainda não tive uma resposta do tipo: “Claro!”, talvez porque não tenha muito contato garotas arrogantes ou prepotentes. Talvez, no fundo, quisessem dizer que sim. Mas não se sentiram à vontade. Ou quisessem que fosse realmente verdade.

Fiz muitas músicas para várias meninas. Algumas, paixões, amores de minha vida. Outras, garotas que me encantaram. Outras ainda, amigas muito queridas. Mas deixe-me falar da primeira.

Marione era uma garota de uns 19 anos, eu tinha uns 16 na época. Era linda, encantadora, doce, simpática, atenciosa. Não me apaixonei por ela, apenas cheguei em casa e me disse: “Ela merece uma canção”. Fiz uma música chamada O meu sonho. Descrevia um amor platônico por aquela adorável criatura. Foi uma das primeiras músicas que fiz. Apesar disto, tive sorte de conseguir realizar um arranjo ao menos à altura da musa inspiradora.

Você bem que podia ao menos me notar
E desviar o olhar pra mim alguma vez
E poderia sem querer me acenar
Pra que eu tivesse a esperança de um talvez

(O Meu Sonho (1989))

Um tempo passou e eu, então com dezessete anos, numa parada de ônibus, a caminho de casa, deparei-me com Luciana. Cabelos lisos, negros, chanel. Pele clara. Um sorriso… não, O sorriso. Nunca soube sua idade, talvez 18 ou 19. Acompanhei-a junto com sua a mãe até a Universidade, onde realizaríamos o vestibular nos quatro dias seguintes. A vi mais uma vez apenas; mas ela não passou no vestibular e nunca mais a vi. Morava no Paraná. Meu encantamento foi fulminante. Não consegui me acalmar enquanto não fiz uma música para ela. Como tinha esperança de gravar a música e um dia ela ouvir no rádio, assim começava:

Ligue o rádio e ouça esta canção que eu fiz pra ti
Um dia eu sei que vou de novo ver você sorrir
Certeza de ficar apaixonado outra vez
Isto não fica assim, por que você fugiu de mim

(Trouxa Apaixonado (1990))

Nos meus arroubos de preciosismo, fiz da música um acróstico: as primeiras letras dos versos formam o nome dela (LUCIANA EMER) e do estado onde morava (PARANA). Como eu podia ser tão chato??

Um ano se passou até conhecer Maria José. Viajei à Paraíba para visitar meu irmão, e esta amiga de minha cunhada fisgou-me de maneira extraordinária. Um maravilhoso sonho de verão (seguido, tempos depois, por um pesadelo em quatro estações, hehehe) que deixou-me completamente enebriado. De todas as músicas que compus, talvez esta seja a que possue o caráter mais extraordinário. 20 dias após deixá-la a 3000Km de distância, estava eu tentando dormir quando tive o ímpeto de pegar o caderno. Escrevi a letra – com exceção de um trecho diferente no meio – sem nem ao menos parar para pensar. Estava pronto dentro de mim. Mas não havia música. Peguei o violão e o primeiro acorde que me veio, a primeira frase que cantei eram perfeitos para a letra. Estava pronto dentro de mim. Achei a música meio monótona, repetitiva, então quis fazer uma parte um pouco diferente. Escrevi de uma só tacada, e a melodia, os acordes, vieram atrás. Justa. Perfeita. Medida. Para não dizer que não a corrigi, troquei quatro palavras após terminar, não haviam ficado bem. E só.

Me sentia ao mesmo tempo enebriado pela paixão e desesperado de saudade. A canção reflete isto:

Como posso chorar
Se só há bons momentos pra lembrar
Como posso chorar
Se alguém tão longe a me amar
Como posso não chorar
Se sinto meu peito apertar
Como posso não chorar
Se sinto a saudade me machucar

(Só Porque Estou Longe de Você (1991))

Nunca toco esta música diferente, ou mudo sua forma de cantar. Ela nasceu assim, é para ser assim. Me arrepio às vezes quando lembro disto.

Mais um tempo passa. Fiz uma música que não sabia para era. A música era Mais Ninguém (1993). Eu dizia a uma menina que estava aguardando que ela estivesse pronta para que ficássemos juntos. Me senti um tanto frustrado, pois achava que a música era solta, não tinha foco em ninguém, não era dedicada a ninguém. Sem motivo para existir. Muito tempo depois é que fui entender que ela tinha uma dona, tinha uma inspiração, e eu não entendia, não estava preparado para entender meus próprios sentimentos. Esta música era para Mariana.

Eu vou fazer, eu vou fazer uma canção
Pra quando você me tiver no coração
Pra quando você estiver desimpedida
Pra quando você estiver de bem com a vida
Pra quando você solicitar minha carícia
Pra quando você sorrir-me às vezes com malícia

(Mais Ninguém (1993))

Tempos depois fiz um sambinha para minha amiga Paola. Daquelas de parar o trânsito, impressionantemente charmosa, era uma das irmãs que não tive. Mas aprontava cada uma… Samba para Paola (1994) é um puxão de orelha.

Este seu comportamento
Sempre ao sabor do vento
Faz a turma pirar
Causando mil prejuízos
Não por falta de aviso
Que os amigos tentam lhe dar
Mas quero lhe ver bem solta
Balançando a roupa
Quando a banda cantar
Que esta minha escolha tem um quê de tola
Esta minha escolha por você (Paola!)

(Samba para Paola (1994))

Logo depois de começar a namorar Mariana fiz uma música para Daniela, outra das irmãs que não tive. Ela morria de ciúmes da Paola, pois eu tinha feito uma música para ela e Dani não tinha. Para evitar brigas, fiz Loirinha. Uma das minhas músicas mais diferentes, dançantes, e com uma letra com ligeiro duplo sentido, como se eu quisesse dar uma cantada na Daniela (talvez quisesse…).

Ouvi falar, Loirinha
Da inveja que tens porque
Cantei amigas minhas
Mas jamais cantei você

(Loirinha (Que se Dane) (1994))

Muito divertido. Dani guarda até hoje a fita que mandei para ela – para seus amigos, sou o “amigo da fita”. Grande Dani.

Mariana. Mariana é um caso à parte em minha vida. Um terço de minha vida passei ao seu lado, várias músicas fiz para ela. A primeira, como falei acima, nem mesmo eu sabia que era para ela. Era uma grande amiga, o que gerou grandes revoluções internas (em mim e nela) para que conseguíssemos namorar. A música que fiz para esta ocasião contém os versos que considero os mais bonitos que já fiz, e talvez nunca mais consiga fazer algo igual. Costumo dizer que se morrer, ter feito estes versos vale minha existência.

Muito do que sempre um dia
Encontrar em alguém queria
Tinha… muito a ver
Com o que encontrei surpreso
Quando encontrei-me preso a você

(Dissonâncias (1994))

Talvez possa parecer pedante, presunçoso… não lembro como fiz esta música, lembro do dia, da hora… da louca vontade que tive de mostrar aos amigos – lembro de meu amigo Cao falando entusiasticamente: “Estás apaixonado! Estás apaixonado!” e me aplaudia elogiando a beleza e a força da música. Vale realmente tanto? Cumpriu seu papel, e foi decisiva para que a história com Mariana não tivesse passado de uma simples frustração.

Na alegria, na felicidade do namoro, todo final de semana voltava à minha cidade natal para encontrá-la. Minha cidade natal, Santa Maria, era tudo que eu queria no final de semana. Apesar de meus amigos na cidade em que trabalhava quererem que eu ficasse lá para “fazer festa”, eu nem exitava!

Não tem baile, nem festa, nem jantar
Sexta-feira nem pense em convidar
Não me importa se é canja ou caviar
Vou pra Santa Maria namorar

(Vou pra Santa (1994))

Um samba alegre, divertido… lembro de um amigo entusiamado dizendo: “Parece que estou ouvindo esta música na rádio, as pessoas cantando…”

Mas era tempo de haverem dificuldades. Mariana transferiu-se para a Bahia, e eu fiquei tentando transferência para lá. Fiz três músicas para ela neste período. A primeira foi Estar na Bahia (1995), na mesma semana em que ela partiu.

Parecer estar
Na Bahia
Por um dia
Descobrir se Cabral descobriria
Minha especiaria
Que na Bahia
Foi morar e deixou minha cama
Vazia

(Estar na Bahia (1995))

Ainda estava meio atordoado, pois do convite até sua partida foram apenas 25 dias. Mas a próxima música era mais melancólica, mais profunda, Sobre as Mulheres (1995).

Sobre as mulheres queria falar
Da que tem estado ao meu lado
E que me faz sonhar às vezes acordado
Que nem precisa estar presente sempre, não
Pra eu me acalmar, fingindo ouvir seu coração
Que me faz acreditar em mim
Que é meu crescimento
Enfim

(Sobre as Mulheres (1995))

Pouco tempo depois, após voltar de uma visita, fiz Enquanto o Tempo (1995), uma música que nunca gostei, nunca consegui deixá-la redonda. Foi muito dura. Muito triste.

Enquanto o tempo faz saudade aumentar
Adormecer pior só que acordar
Sonhar lhe ter ao vivo e a cores
Não poder tocar
Lhe procurar em vão nos cobertores

(Enquanto o Tempo (1995))

Após ela, veio uma longa pausa. 9 anos. Mariana já não estava comigo, nos separamos. Eu estava muito, muito, muito, abatido. 15 dias após a separação fui “atropelado” por Valéria, um garota que era o sonho de todas as noites de metade dos homens da faculdade (a outra metade sonhava de dia…). Na verdade, ela só passou feito um turbilhão numa noite, na casa do amigo onde passava aqueles duros dias. Mas foi o suficiente para deixar algo muito importante para mim. E eu precisava agradecê-la. Fiz então Vendaval e Carnaval (2004), em alusão a seu jeito de passar “voando” e sua alegria contagiante.

Foi um vendaval
Foi um temporal
Que passou por mim
Foi um carnaval
Foi um riso tal
Que alegrou-me assim
E eu nunca pude agradecer
A força que ela me deu
E nem percebe o que é ter
Um simples momento seu

(Vendaval e Carnaval (2004))

Como era um agradecimento, precisa mostrar para ela. Mas não tinha intimidade, e nem estava bem o suficiente para isto. Escrevi uma carta, gravei em CD e pedi para um amigo em comum entregar. Acabei esquecendo disto, e dias depois ela me parou no corredor, completamente atordoada, nervosa, me abraçando e dizendo que ficou encantada, encabulada, que mostrou para todo mundo, que ouvia o tempo inteiro,… Fiquei estupefato com sua reação… O engraçado é o tema da letra e da melodia me vieram quando estava saindo para faculdade e não tinha tempo para continuar. Quando voltei para casa… Havia esquecido! Que desespero! Mas alguns dias depois parei e fiz um esforço, e tudo voltou, então terminei a canção. Ufa!

Chegando perto do dias dos namorados, senti-me só e usei minha imagem de Valéria para fazer Dia dos Namorados (2004). Não considero uma grande canção, apesar de alguns versos até serem inspirados.

Ah, senti você passar
E por um instante deixei de respirar
Foi o seu perfume
Que distraiu-me a atenção
Já é seu costume
Deixar homens sem direção

(Dia dos Namorados (2004))

Algum tempo depois, resolvi tirá-la da minha cabeça. Não tinha intenção nenhuma com ela, mas minha carência acabava por trazê-la sempre à lembrança. Resolvi “exorcizá-la” com uma música chamada Última Canção (2004) (bastante sugestivo, não é?).

Não vou mais cantar em vão
Esta é a última canção
Não vou mais sonhar com ela
Se não for lhe conquistar
Então vou me libertar
Abrir portas e janelas
Mas se ao ouvir esta canção
Algo tocar seu coração
Vou me chegar
Vou me instalar
Pra sempre ao seu lado

(Última Canção (2004))

Gosto muito desta música.

Apesar destas últimas duas músicas serem inspiradas na Valéria, não eram para ela. Foram mais para colocar para fora determinados sentimentos meus.

Dídima é uma garota muito, muito chata. Reclama de tudo, o suco está ralo, o dia está quente demais, a vida não presta… Havia levado um fora de um namorado, estava arrasada (e eu não muito diferente). Acabamos passando alguns momentos juntos, trocando as dores destes “amores perdidos” e algumas macarronadas. Um dia resolvi colocar estas nossas dores em forma de música, para consolá-la, Tempo Sabe o Que Faz (2004).

Eu conheço sua dor
Eu bem sei o que é estar sozinho
Depois de tanto ter calor
Não ter mais ninguém em seu caminho
O tempo passa mas não leva nossa dor
O tempo passa e não devolve nosso amor
Quem já teve amor perdido
Sabe o que tempo faz
Que o tempo sabe o que faz

(Tempo Sabe o Que Faz (2004))

Fiquei feliz por ela ter gostado. Ao menos de alguma coisa ela gosta… (tenho certa atração por pessoas chatas e ranzinzas, acho que não bato bem…)

Uma música que gosto muito mas que não fiz para uma garota em especial, Dúvidas (2004). Eu costumo dizer que esta música é para a “próxima”. A próxima garota por quem me apaixonar e que se apaixonar por mim.

Se eu pudesse já saber
Que sou o certo pra você
Que você vai me bastar
Se o que estamos pra sentir
Fosse nos fazer sorrir
E jamais nos magoar
Olharia pra você
Deixaria acontecer
O que a noite desejar

(Dúvidas (2004))

Um ano depois, a “próxima” tomou posse desta canção. Seu nome é Juliana.

A vida ficou corrida, deixei alguns meses compor de lado, mas de forma tranqüila. Conheci Rosane. Morena meio brava, mas muito doce. Canta maravilhosamente, tocamos juntos uma vez na faculdade. Ela tem 20 anos. Dela ouvi algo que me deixou muito triste, na verdade. “Perto de você, me sinto exatamente como você me chama: uma menina”. Mesmo assim, quando saiu de férias, voltou para sua cidade – Barra –, e me deu vontade de fazer uma música leve e descontraída sobre ela. Então nasceu o reggae Morena da Barra (2005).

Amigo fique atento
A história é complicada
A moça veio de muito longe
Haja estrada
Me disse que só veio
Pra estudar e tomar jeito
Que nada
E, eu, esperto
Não descuido se estou perto
Desta cilada
Perto da morena da Barra

(Morena da Barra (2005))

Acabei que ainda não tive oportunidade de mostrar a música para ela, só enviei um pedaço da letra via celular. Era para ser um forró (ela adora forró…) mas não foi assim que a música chegou, paciência. Conheci Esmeralda num curso que dei. Senti vontade de manter um contato mais estreito, mas sabia que ela era o tipo de garota que desperta ciúmes em minha ex-esposa Mariana, e deixei de lado. Até surgiu a oportunidade, um tempo depois, de fazer um projeto com ela, mas não vingou, e até foi bom, pois Mariana realmente iria sentir ciúmes. Mas Mariana e eu nos separamos, e a primeira pessoa que acabei encontrando foi Esmeralda. E foi a pessoa que eu precisava encontrar, pois ela precisava de apoio para algumas questões dela, e isto me ajudou a tirar um pouco o foco de mim, me sentir útil. E ela, apesar de ser meio doidinha (ela mesmo admite), me deu algo que eu realmente precisava: um lugar para ir, onde fosse sempre bem recebido, a qualquer hora, a qualquer momento. Sempre pus-me em débito de fazer uma música para ela. Mas nunca consegui sair do lugar (não adianta, não funciono assim). Mas depois de uma conversa em que dei uma “prensa” nela para que achasse ânimo para perseguir seus sonhos, acabei encontrando a inspiração para sua música. A música levou seu nome. Aliás, a única música em que faço menção ao nome da garota.

A esmeralda precisa encontrar
Uma mão carinhosa
Pra lhe lapidar
E toda pedra e cada pedra
É preciosa e tem seu brilhar
Seja qual for

(Esmeralda (2005))

Enfim, chego à última da lista. Uma coisa engraçada esta tal de Internet, agora tenho uma musa que sequer conheço pessoalmente! Silvana é minha arquiteta em crise existencial viciada em spinning favorita… Ainda acho impressionante como ela me inspirou a fazer esta música… Fiz uma “celularenata”, uma serenata por celular para ela… o frio da barriga nestas horas vale todo esforço. Engraçado, fiz a música com tanta força para uma garota que mal conheço e que talvez nunca conheça. Vai entender estes “poetas” doidos… Mas adoro esta música…

Mas foi quando vi você
Aqui, do meu lado
Se esforçando em não lembrar
Que o dia já lhe chama
Com sua mão a se enrroscar
Em meu peito
Me provando
Que é tudo fingimento
Fingi que sou tão forte sem segurar sua mão
Fingi que enfrento os medos sem seu colo
Fingi que sei viver na solidão

(Fingimento (2005))

Bom, como diria o Pernalonga, “That’s all, folks! (Por enquanto é só, pessoal!)”. Até a próxima canção.

Mais do que Tudo

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Esta é uma poesia que não sei quando escrevi, mas que me é muito marcante e que uso para marcar um período de músicas. Ela deu nome uma fita de 1997 que mandei para alguns amigos.

Rafael Goulart (antes de 1990)
Mais do que tudo
O nada nos é intrínseco
Somos apenas nada tentando ser
Alguma coisa
E
Se alguma coisa vale a pena
Eu não sei
Mas algo me diz:
“É possível”
E
Se alguma coisa eu vier a ser
Nada me arrancará
O pouco de tudo que serei

O caminho 2

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart (05, Julho, 2004 - 08:35h)
(incompleto?)

Havia um tempo há muito tempo trás
Em que eu era jovem demais
Pra saber como se faz
Pra mudar o mundo
O nosso mundo

Hoje entendo que mundo sempre insiste
Em manter a dor que existe
E não vai mudar no fundo
O nosso mundo

Ouço atento as canções
Que aquele jovem cantava
A tristeza que nele brotava
A mesma do homem de agora

As mesmas indecisões
A falta de alguém , um canto, um rumo
De um caminho que pareça seguro
De um porquê pra ficar ou ir embora

Minhas mãos enrrugando
São os únicos sinais
De que estou mudando

(esta poesia faz referências às músicas Alguém O Caminho)

Incertezas

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart (??? possivelmente abril 2004)
Eu pergunto:
Se pra onde o mundo vai é incerto
Qualquer caminho que eu siga
Leva à incerteza?

Eu mesmo respondo:
A única certeza é a incerteza

Feliz Aniversário, K

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart (07, maio, 2004 - 22:04h)
Acróstico para Kelly, aniversário de 19 anos

Deixe-se, permita-se
Esteja aberta à mudança
Zoe, brinque, dance
E guarde seu lado criança

Não seja prepotente
Ouça os experientes
Velhos conselhos evitam
Erros comuns e correntes

Ame, doe a si mesma
Não se economize aos outros e ao mundo
Os que se guardam para o futuro
Sofrem de um presente pouco profundo

De Como Encontrar um Novo Amor

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 -- em Poesias e Textos
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Rafael Goulart (22, abril, 2004 - 22:14h)
Se o amor de sua vida não pode ser mais
Se quem era pra sempre agora é jamais
Amigo lhe digo como encontrar

Um novo amor pra preencher
Este buraco que parece não ter
Terra no mundo que vá tampar

Deixe o tempo levar suas mágoas
Deixe a chuva com suas águas
Fazer o dom do perdão nascer

E perdoe todos os erros cometidos
Tanto os seus quanto do amor perdido
É uma limpeza que nos faz crescer

Guarde seu amor num cofre seguro
Jogue a chave atrás de um muro
E ponha este cofre bem fundo lá dentro

Deixe agora a porta do quarto aberta
E uma luz azul de intensidade certa
E um bilhete neste quarto, no centro

Nele escreva: “Àquela que entrar que saiba:
Neste quarto há sempre espaço para que caiba
Um alguém que queira dar e receber

Toda que entrar não mais sairá
Mas uma, e apenas uma, nunca deixará
De poder entrar e sair quando quiser”